Economia

Tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros completam um ano sem acordo entre os governos

09 de Julho de 2026 às 12:07

Nesta quinta-feira (9), completa-se um ano da notificação de Donald Trump sobre a imposição de tarifas a produtos brasileiros. O governo do Brasil apresentou propostas de encaminhamento, mas o escritório do representante comercial americano não formulou contrapropostas. A resistência dos Estados Unidos envolve a exportação de etanol, minerais críticos e ajustes no PIX

Completa-se, nesta quinta-feira (9), um ano desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, notificou formalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a imposição de tarifas adicionais a produtos brasileiros exportados para o mercado americano. Apesar de tentativas de aproximação e reuniões bilaterais, a relação entre as duas chefes de Estado atravessa um período de distanciamento, intensificado após a visita do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL, a Washington.

No campo técnico, o governo brasileiro registrou progressos iniciais junto ao escritório do representante comercial americano (USTR), especialmente após diálogos ocorridos entre Lula e Trump durante a assembleia da Organização das Nações Unidas, em setembro do ano passado. Contudo, a postura do USTR tornou-se inflexível a partir de maio. Diplomatas relatam que os negociadores americanos passaram a evitar argumentos técnicos consistentes, sugerindo que o Brasil deveria abdicar de seu "orgulho" para avançar nas tratativas, mudança de tom que o Itamaraty vincula à interlocução de Flávio Bolsonaro com a Casa Branca.

A estratégia da diplomacia brasileira tem sido a manutenção dos canais de diálogo, buscando isolar questões ideológicas das negociações comerciais. Mesmo com a apresentação de dados sobre o sistema PIX e índices de desmatamento, o USTR não formulou contrapropostas, pedidos concretos ou caminhos para um acordo. O Brasil já submeteu uma proposta de encaminhamento, que segue sem decisão.

No Ministério das Relações Exteriores, prevalece a percepção de que a decisão final cabe exclusivamente a Trump, descrito como imprevisível. O governo brasileiro aponta que os Estados Unidos classificam temas como o PIX como "inegociáveis" e sustentam a tese de que o Brasil não combate o desmatamento ilegal. Para integrantes do Planalto e do Itamaraty, a resistência americana reflete o desejo de Trump por um governo brasileiro mais maleável, que aceite negociar a exportação de etanol, minerais críticos e a implementação de ajustes no PIX.

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