Economia

Taxa de pobreza nas regiões metropolitanas brasileiras atinge o menor nível desde 2012

12 de Junho de 2026 às 09:14

A taxa de pobreza nas 22 regiões metropolitanas brasileiras caiu para 18,4% em 2025, o menor índice desde 2012. O recuo, que retirou mais de 10 milhões de pessoas dessa condição entre 2021 e 2025, coincide com a renda média domiciliar per capita recorde de R$ 2.766. O índice de Gini registrou 0,511 no mesmo período

Taxa de pobreza nas regiões metropolitanas brasileiras atinge o menor nível desde 2012
© PAULO PINTO/AGÊNCIA BRASIL

A taxa de pobreza nas 22 regiões metropolitanas brasileiras recuou para 18,4% em 2025, o terceiro declínio consecutivo e o menor índice registrado desde 2012. Entre 2021 e 2025, esse movimento resultou na saída de mais de 10 milhões de pessoas da condição de pobreza. O cenário é detalhado no boletim Desigualdade nas Metrópoles, elaborado pelo Observatório das Metrópoles, pela PUC-RS e pela Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL), com base em dados do IBGE.

A renda média domiciliar per capita nessas áreas atingiu o recorde de R$ 2.766 em 2025. A melhora nos indicadores é atribuída à maior oferta de ocupações e ao aumento da remuneração do trabalho para as camadas mais pobres, e não a programas de transferência de renda, visto que os valores do Bolsa Família permanecem inalterados desde março de 2023.

No ano anterior, a pobreza nas metrópoles abrangia 15.188.817 pessoas, volume populacional equivalente à soma dos estados do Pará, Paraíba e Sergipe. Esse grupo era composto por indivíduos com renda mensal de até R$ 729. Dentro desse universo, 2,6 milhões de pessoas viviam em extrema pobreza, com rendimentos de até R$ 229 por mês — quantitativo similar à população de Salvador ou Fortaleza. A taxa de extrema pobreza nas metrópoles caiu para 3,2%, patamar superado apenas nos anos de 2013 e 2014.

Apesar da redução da pobreza, a desigualdade socioeconômica persiste. O índice de Gini registrou 0,511 em 2025, indicando a concentração de renda. A disparidade ficou evidente na proporção entre as classes: os 10% mais ricos receberam, em média, 16,1 vezes mais do que os 40% mais pobres da população.

Essa concentração é alimentada por dois fatores principais: o acesso a ocupações de maior remuneração por parte de quem possui maior escolaridade e o rendimento de aplicações financeiras. Em um período de taxas de juros elevadas, apenas os grupos de maior poder aquisitivo conseguiram rentabilizar capitais, ampliando a distância de renda em relação aos estratos mais baixos.

A distribuição da desigualdade também varia geograficamente, com maior concentração de pobreza nas metrópoles do Norte e Nordeste em comparação ao Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O Distrito Federal, com renda mensal média de R$ 4.401, apresenta um valor 2,7 vezes superior ao de São Luís, onde a média é de R$ 1.616.

O estudo abrangeu 22 regiões metropolitanas, que englobam cerca de 300 cidades e concentram 40% da população brasileira. As áreas analisadas incluem Manaus, Belém, Macapá, São Luís, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiabá, Goiânia, Distrito Federal e a Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento de Teresina.

Com informações de Agência Brasil

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