Termelétricas a gás natural dominam leilão de Reserva de Capacidade com 18,7 GW contratados
As organizações em defesa do meio ambiente criticaram o resultado do leilão de Reserva de Capacidade, que priorizou usinas movidas a combustíveis fósseis. Das 100 contratações, apenas cinco são hidrelétricas e as termelétricas a gás natural representam mais da metade das vagas. A Frente Nacional de Consumidores estima um custo anual estimado em R$ 39 bilhões com esses contratos
O leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026) foi realizado na quarta-feira passada (18), mas as organizações em defesa do meio ambiente e dos direitos dos consumidores não deixaram a decepção por fora. O Instituto Internacional Arayara, especializado em litigância climática e ambiental, criticou veementemente a priorização das usinas movidas a combustíveis fósseis no certame. Dos 100 empreendimentos vencedores do leilão, apenas cinco são hidrelétricas com potência de 9,5 GW. Já as termelétricas a gás natural dominam o cenário, representando mais da metade das contratações (18,7 GW). As usinas a carvão mineral não foram esquecidas e também obtiveram duas vagas com potência de 1,4 GW. Apenas dois empreendimentos são termelétricas a biogás. A principal crítica é que esses tipos de usinas não possuem flexibilidade para cumprir sua função no Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo os dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o tempo de acionamento das termelétricas a carvão pode chegar a até 8 horas, tornando-as ineficientes em momentos de pico de demanda. A Frente Nacional de Consumidores de Energia (FNCE) também se manifestou contra os resultados do leilão. Segundo cálculos da entidade, as termelétricas representarão um custo anual estimado em R$ 39 bilhões e um aumento médio de 10% nas contas de luz. A FNCE alerta que o consumidor ainda precisará pagar os combustíveis quando as usinas forem acionadas. Além disso, haverá impactos relevantes na inflação, no desequilíbrio do setor elétrico e nas emissões de gases de efeito estufa. O Instituto Nacional de Energia Limpa (INEL) também se manifestou contra a presença das termelétricas no leilão. A entidade chegou a protocolar um pedido de impugnação do certame na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas foi negado. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu o resultado do leilão afirmando que ele resolve o problema de potência no sistema energético brasileiro. Ele também destacou a segurança energética e menor tarifa para os consumidores como vantagens da contratação das termelétricas. O próximo LRCAP está previsto para sexta-feira (20) e visa contratar energia gerada por termelétricas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel.