Economia

TikTok inicia montagem de primeiro edifício de seu maior data center do Brasil no Ceará

03 de Maio de 2026 às 06:09

A Omnia Data Centers iniciou a montagem das estruturas do data center do TikTok no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, com investimento superior a R$ 200 bilhões. O polo, que operará com energia renovável e capacidade de 200 MW, prevê início das atividades no terceiro trimestre de 2027. A obra deve gerar 3.800 empregos na fase de construção e 400 postos na etapa operacional

Com investimento privado superior a R$ 200 bilhões, a construção do data center do TikTok no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, avançou para a etapa de montagem das estruturas pré-moldadas do primeiro edifício. O empreendimento, conduzido pela Omnia Data Centers, prevê o início de sua operação comercial para o terceiro trimestre de 2027.

A infraestrutura, localizada na Zona de Processamento de Exportação do Ceará, será o primeiro polo de processamento de dados do TikTok na América Latina e o maior do Brasil. O projeto contempla dois edifícios com 20 data halls, totalizando uma capacidade inicial de 200 MW de processamento contratada pela ByteDance, controladora da plataforma. A operação será abastecida integralmente por energia renovável proveniente de dois parques eólicos no Ceará, via Casa dos Ventos, com a possibilidade de inclusão de uma terceira usina em outro estado. Para mitigar o impacto ambiental, o sistema de refrigeração não utilizará água para resfriar os equipamentos.

O cronograma da obra mantém a previsão de conclusão da estrutura inicial para o fim de 2026. No primeiro semestre de 2027, o projeto entrará na fase de montagem elétrica e instalação da infraestrutura tecnológica, incluindo servidores e componentes operacionais. A partir de abril de 2027, a logística de implantação contará com a chegada de 15 voos mensais de aviões cargueiros vindos da China. O Governo do Ceará planeja negociar com compradores chineses para que essas aeronaves retornem ao país de origem carregadas com produtos locais, especialmente do agronegócio, otimizando o fluxo logístico.

No âmbito do mercado de trabalho, a fase de construção deve gerar 3.800 empregos, com o contingente atual de trabalhadores no canteiro subindo para cerca de mil pessoas durante a montagem das primeiras estruturas. A fase operacional projetará a criação de 400 postos de trabalho.

Quanto ao impacto econômico regional, dos R$ 190 milhões já contratados para a construção, aproximadamente 90% foram destinados a empresas cearenses. O governo estadual monitora as contratações externas para identificar lacunas de competitividade nas cadeias produtivas locais e orientar futuras políticas públicas.

Apesar do avanço, o licenciamento ambiental do complexo foi questionado em fevereiro de 2026 por um laudo do Ministério Público Federal. A Omnia e o TikTok contestaram as alegações de falhas e omissões, reafirmando a regularidade do processo e o compromisso com a energia 100% renovável.

A Omnia projeta expansões futuras do campus, dado o interesse da ByteDance em ampliar a operação. A empresa também avalia a atração de outras companhias globais de tecnologia para o complexo, considerando que a demanda por data centers de hiperescala é concentrada em um grupo restrito de cerca de 12 empresas mundiais, envolvendo ciclos de investimento de longo prazo e volumes bilionários.

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