Economia

Trabalho remoto dificulta a contratação de recém-formados e eleva o desemprego entre jovens graduados

02 de Junho de 2026 às 06:11

O desemprego de graduados com menos de 29 anos subiu 20% após a pandemia, atingindo média de 3,7% entre 2022 e 2025. Estudo do Federal Reserve Bank de Nova York atribui a alta à expansão do trabalho remoto, que dificulta a contratação de jovens sem experiência. O levantamento descarta a inteligência artificial como causa principal do fenômeno

Trabalho remoto dificulta a contratação de recém-formados e eleva o desemprego entre jovens graduados
AP/Cheyanne Mumphrey

A taxa de desemprego entre graduados universitários com menos de 29 anos registrou alta de 20% quando comparada ao período anterior à pandemia, atingindo uma média de 3,7% entre 2022 e 2025. No recorte de profissionais entre 22 e 27 anos, o índice chegou a 5,8% no ano passado, o patamar mais elevado fora da crise sanitária desde 2012.

Um estudo do Federal Reserve Bank de Nova York, liderado pela economista Natalia Emanuel, aponta que a expansão do trabalho remoto é o fator central para a dificuldade de inserção de recém-formados no mercado. A análise comparou carreiras passíveis de execução à distância, como o desenvolvimento de software, com funções presenciais, a exemplo da enfermagem. O levantamento indica que empresas evitam contratar jovens sem experiência para vagas remotas devido à complexidade de treinar e orientar esses profissionais fora do ambiente físico.

Essa tendência é evidenciada pelo comportamento oposto entre as faixas etárias em ocupações remotas: enquanto o desemprego juvenil subiu, a taxa para trabalhadores com 29 anos ou mais nessas mesmas áreas apresentou leve queda. Em contrapartida, não houve diferença significativa nos índices de desemprego entre graduados jovens e experientes em profissões que exigem presença física, padrão que também se repetiu entre trabalhadores sem diploma superior.

Dados de uma empresa de tecnologia da Fortune 500, mantida sob anonimato, corroboram a tendência geral. Durante o fechamento dos escritórios, a companhia reduziu a contratação de iniciantes e priorizou profissionais experientes, que demandam menor supervisão para a execução de suas tarefas.

A pesquisa descarta a inteligência artificial como causa principal do desemprego juvenil, observando que a deterioração do mercado para recém-formados começou antes da popularização de ferramentas como o ChatGPT. Mesmo com o avanço da tecnologia em setores como direito, finanças, mídia e entretenimento, a análise de exposição profissional indica que a IA teve pouco impacto nas taxas de desemprego desse grupo.

O cenário reflete um mercado de trabalho com baixa rotatividade, caracterizado por poucas demissões e contratações reduzidas. Embora o desemprego geral permaneça estável, profissionais que perdem seus postos enfrentam maior dificuldade para retornar ao emprego.

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