X8 Cloud planeja investir até US$ 50 bilhões em data center de inteligência artificial no Paraguai
A empresa americana X8 Cloud planeja investir até US$ 50 bilhões em 30 anos para instalar um data center de inteligência artificial no Paraguai. O projeto depende de aprovações regulatórias, disponibilidade de energia e etapas de expansão

A X8 Cloud, empresa sediada nos Estados Unidos, planeja investir até US$ 50 bilhões em três décadas para a implementação de um data center de inteligência artificial no Paraguai. O projeto, condicionado a aprovações regulatórias, disponibilidade energética e etapas de expansão, consolida a posição do país na disputa regional por infraestruturas de processamento de dados, que demandam energia limpa, barata e previsível.
A estratégia paraguaia baseia-se na combinação de estabilidade macroeconômica, carga tributária reduzida e abundância de energia hidrelétrica. A produção de Itaipu deixou de ser apenas um suprimento regional para se tornar um ativo estratégico para operações de IA. Esse potencial foi destacado em maio de 2025 por Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, que afirmou em audiência no Senado americano que nações com excedente energético, como o Paraguai, possuem atratividade para essas estruturas.
O país já possuía experiência anterior na atração de mineradoras de criptoativos, setor de alto consumo elétrico, o que serviu de teste para a capacidade regulatória e energética do Estado. Somado a isso, o regime tributário "Triplo 10" — com alíquotas de referência de 10% para IVA, renda pessoal e imposto corporativo, além de exceções específicas — e o regime de maquila para exportações em setores como têxtil, alimentos, manufaturas leves e autopeças, impulsionam a competitividade externa.
Esses fatores refletem-se nos indicadores econômicos. A manufatura representou cerca de 19% do PIB paraguaio em 2024, enquanto no Brasil a participação foi de aproximadamente 12,4%. A expansão econômica do Paraguai é estimada em 6,6% para 2025, movida por investimentos, agricultura, consumo interno e geração de energia, com projeções de crescimento de 4,3% para os anos seguintes, superando a média sul-americana. Em contrapartida, o Fundo Monetário Internacional projeta crescimento de 2,3% para o Brasil em 2025, sob a pressão de juros básicos elevados.
A percepção de risco internacional também divergiu. Em 2024, a Moody’s concedeu grau de investimento ao Paraguai, e a S&P elevou a nota soberana para BBB- com perspectiva estável em dezembro de 2025, embora a Fitch mantenha a classificação um nível abaixo. O Brasil, por sua vez, permanece sem grau de investimento nas três principais agências. Em maio de 2025, a Moody’s manteve o Brasil em Ba1 e alterou a perspectiva de positiva para estável, apontando dificuldades fiscais e queda na capacidade de pagamento da dívida pública.
Essa disparidade impacta o custo de capital, permitindo que o Paraguai opere com política monetária menos restritiva e inflação controlada. Outro dado relevante do Banco Mundial aponta que a pobreza no país caiu de mais de 50%, há duas décadas, para cerca de 16% em 2025.
Apesar do avanço paraguaio, a diferença de escala permanece expressiva: o Brasil possui mais de 200 milhões de habitantes contra 6 milhões a 7 milhões do vizinho. O Brasil detém um parque produtivo mais complexo, universidades, empresas globais e matriz elétrica renovável, porém enfrenta juros altos, perda de participação industrial e dificuldades em converter sua energia limpa em vantagem competitiva para atrair projetos tecnológicos de grande porte.