Educação

Apenas 18% das escolas públicas de educação infantil têm infraestrutura completa, mostra Censo Escolar 2025

29 de Abril de 2026 às 09:11

Apenas 18% das escolas públicas de educação infantil possuem os 11 itens de infraestrutura considerados essenciais, segundo o Censo Escolar 2025. A falta de biblioteca ou sala de leitura atinge 64% das unidades, e 33% não utilizam água da rede pública. No recorte específico da etapa infantil, somente 12% das escolas reúnem banheiro adaptado, jogos pedagógicos, materiais artísticos, parque infantil e área verde

O Brasil ainda está longe de oferecer infraestrutura completa nas escolas públicas de educação infantil. Dados do Censo Escolar 2025 revelam que apenas 18% das unidades de ensino dessa etapa contam com todos os 11 itens considerados essenciais para o funcionamento adequado. As informações foram incorporadas nesta quarta-feira ao portal QEdu, que agora permite consultas detalhadas por estado e município.

A lista de elementos básicos inclui prédio escolar, energia elétrica da rede pública, abastecimento de água tratada, banheiro, rede de esgoto, cozinha, alimentação para os alunos, coleta de lixo, acessibilidade, internet e biblioteca ou sala de leitura. A ausência de espaços dedicados à leitura é o gargalo mais expressivo: 64% das instituições não possuem biblioteca nem sala de leitura. Outro dado preocupante mostra que 33% das escolas não utilizam água da rede pública e 4% operam sem qualquer ligação com a rede de esgoto.

Na contramão dessas carências, a oferta de alimentação é universal — todas as unidades atendem esse requisito.

Quando o recorte considera itens específicos da etapa infantil, o cenário se agrava. Somente 12% das escolas públicas reúnem banheiro adaptado para crianças pequenas, jogos e brinquedos pedagógicos, materiais artísticos, parque infantil e área verde. O parque infantil está presente em 45% das unidades, enquanto a área verde aparece em apenas 36%. Jogos e brinquedos pedagógicos, fundamentais para as atividades educacionais nessa faixa etária, chegam a 83% das escolas.

A plataforma QEdu também estreou um indicador de atendimento municipal. O levantamento aponta que, em 876 cidades — 16% do total de municípios —, pelo menos uma a cada dez crianças de 4 e 5 anos está fora de creches ou pré-escolas.

Ernesto Martins Faria, diretor-executivo do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional e cocriador do QEdu, defendeu que a educação infantil precisa ocupar o centro do debate público. A inclusão dos dados na plataforma resulta de parceria entre Iede, Fundação Bracell, Fundação Itaú, Fundação VélezReyes+, Fundação Van Leer e Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O Ministério da Educação afirmou que intensificou o apoio aos municípios — responsáveis diretos pela oferta — por meio do Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil, que já reúne mais de 2,5 mil entes federados. A iniciativa busca expandir vagas, garantir a permanência das crianças e implementar parâmetros nacionais de qualidade adaptados às realidades locais.

No campo das obras, o Novo Programa de Aceleração do Crescimento entregou 886 unidades de educação infantil e prevê outras 1.684 creches e escolas. A pasta também concentra esforços na retomada de construções paralisadas: das 1.318 unidades que manifestaram interesse em reiniciar as obras, 904 foram aprovadas e 278 já foram concluídas. O ministério avaliou que os números refletem uma mudança de prioridade na gestão, com ampliação de investimentos para dar mais condições aos municípios de abrir vagas e enfrentar as lacunas ainda existentes.

Com informações de Agência Brasil

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