Escola de Itararé transforma áreas verdes em salas de aula para integrar natureza ao ensino
A Escola Municipal do Campo Profª Andréa Ferraz de Oliveira, em Itararé (SP), implementou o projeto "Salas Abertas: Reconectar com a Natureza" para diversificar o ensino ao ar livre. A iniciativa criou espaços como o Berçário das Plantas, laboratório de investigação e o Canto da Calma. Paralelamente, o Instituto Motiva abriu inscrições até 29 de junho para premiar cinco escolas públicas municipais com R$ 100 mil cada

A Escola Municipal do Campo Profª Andréa Ferraz de Oliveira, em Itararé, no interior de São Paulo, implementou o projeto "Salas Abertas: Reconectar com a Natureza", que converteu quintais e áreas verdes em extensões da sala de aula. A iniciativa, vencedora do Prêmio Escolas Baseadas na Natureza no ano anterior, diversificou os locais de ensino ao ar livre para valorizar tradições locais, resgatar memórias e fortalecer os vínculos comunitários.
A reestruturação dos espaços permitiu a criação do Berçário das Plantas, composto por pomar, horta e a Casa de Sementes Eusa Rodrigues Pereira. Esta última, construída com barro e com a participação de estudantes, resultou de uma parceria com a Comunidade Quilombola Fazenda Silvério, sob a liderança de Tio Darci. O espaço integra o conhecimento ancestral de Dona Eusa sobre sementes crioulas, visando enfrentar problemas de segurança alimentar e promover a alimentação saudável por meio de atividades práticas de plantio e colheita.
A infraestrutura educativa foi ampliada com a instalação de um laboratório de investigação, onde os alunos realizam experimentos com defensivos orgânicos e comparam a eficácia de diferentes tipos de adubação e coberturas de solo. Outro destaque é o Canto da Calma, que une um jardim, biblioteca e redário. O local é utilizado para a regulação emocional dos estudantes e para o incentivo à leitura em contato com a natureza.
A professora Dynná Ferraz destaca que a premiação e as mentorias técnicas possibilitaram a reorganização dos espaços naturalizados da escola, tornando as aulas mais práticas e estimulando o corpo docente a realizar atividades fora do ambiente tradicional. Segundo a educadora, a proposta gera maior sensibilidade dos alunos em relação aos recursos naturais e permite intervenções curriculares com impacto direto na comunidade.
Paralelamente, o Instituto Motiva, com apoio técnico do Instituto Alana e do Instituto Crescer, abriu inscrições até 29 de junho para a nova edição do prêmio. A iniciativa é voltada para escolas públicas municipais em 255 municípios de 13 estados. Cinco instituições serão selecionadas para receber R$ 100 mil cada, além de suporte técnico em educação e arquitetura.
O programa busca combater a desconexão das crianças com o meio ambiente e o chamado "Transtorno do Déficit de Natureza", promovendo o desemparedamento da infância. De acordo com a coordenação do Instituto Alana, o aprendizado em contato com a natureza favorece o desenvolvimento cognitivo, social e físico dos jovens. Para a presidência do Instituto Motiva, a premiação estimula a estruturação de práticas pedagógicas alinhadas aos desafios ambientais contemporâneos, transformando a observação e a investigação do mundo ao redor em ferramentas de ensino.