Estudante da UFS vence competição de inovação em Paris com projeto de fachada sustentável
Eric Matheus Morais, estudante da Universidade Federal de Sergipe, venceu a categoria “Prix du projet innovation” do programa Chaire IdB 2026, em Paris. O projeto premiado utilizou impressão 3D e concreto reciclado para a reabilitação de uma fábrica de linho na França. A conquista ocorreu via programa Brafitec com apoio financeiro da CAPES

Um estudante da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Eric Matheus Morais, conquistou o primeiro lugar na categoria “Prix du projet innovation” do programa Chaire IdB 2026, em Paris. A competição, organizada pela escola francesa ESTP — referência global em obras públicas e construção civil —, premiou a solução tecnológica e sustentável desenvolvida para a reabilitação de uma antiga fábrica de linho na França.
O projeto vencedor, intitulado “Façades – Hargicourt”, consistiu na criação de uma fachada sustentável que integrou design paramétrico, materiais reciclados e a técnica de impressão 3D em concreto. A proposta buscou traduzir cálculos matemáticos e modelagem digital em formas arquitetônicas complexas, inspiradas nos movimentos da colheita e nas ondulações do tecido de linho, unindo a funcionalidade estrutural à estética moderna e à identidade cultural local.
A utilização da impressão 3D foi o pilar central do trabalho, tecnologia que permite maior precisão e a redução de desperdícios na engenharia civil. Para minimizar o impacto ambiental, a equipe utilizou um concreto com menor emissão de carbono, composto por materiais reciclados. A relevância dessa abordagem alinha-se aos dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que atribui ao setor da construção civil cerca de 37% das emissões globais de energia.
Durante o evento, Eric Matheus Morais representou a Escola de Engenharia Polytech Orléans, instituição que participava da competição pela primeira vez na área de atuação do estudante. A vitória ocorreu em um cenário competitivo composto por instituições renomadas da Europa, destacando-se o fato de o brasileiro ter sido o único competidor sem o francês como língua nativa.
A viabilização da experiência acadêmica na França ocorreu por meio do programa Brésil France Technologie en Ingénierie (Brafitec), que promove a cooperação entre universidades brasileiras e francesas para a formação de engenheiros. O suporte financeiro foi provido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), através de bolsas que permitem a permanência de estudantes brasileiros em centros de pesquisa internacionais.
O resultado do projeto em Paris evidencia a competitividade da ciência produzida em universidades públicas brasileiras e a eficácia de programas de intercâmbio no desenvolvimento tecnológico. Ao aplicar inovações para a recuperação de espaços industriais antigos, o trabalho reforça a visibilidade da UFS no cenário global e a capacidade da engenharia nacional de propor soluções viáveis para as tendências contemporâneas de construção inteligente e sustentabilidade.