Estudante de Presidente Dutra cria detergente biodegradável feito com casca de pinha
Beatriz Rodrigues, aluna de escola estadual em Presidente Dutra, criou um detergente biodegradável feito com casca de pinha. O projeto, apresentado no Encontro Estudantil, utiliza saponinas da fruta para substituir substâncias químicas. A iniciativa visa dar utilidade econômica aos resíduos agrícolas da cidade
Uma estudante do Colégio Estadual de Tempo Integral Leila Janaína Brito Gonçalves, em Presidente Dutra, desenvolveu um detergente biodegradável utilizando a casca da pinha como ingrediente principal. O projeto, criado por Beatriz Rodrigues, transforma resíduos agrícolas em matéria-prima para versões líquida e pastosa do produto, eliminando o uso de substâncias químicas agressivas ao meio ambiente. A inovação foi apresentada no Encontro Estudantil, evento que concentrou aproximadamente 10 mil alunos na Arena Fonte Nova.
A base científica do produto reside na presença de saponinas na *Annona squamosa*, nome científico da pinha. Essas substâncias naturais possuem capacidade de limpeza e formação de espuma, atuando como surfactantes que removem gordura e sujeira. Para a formulação, a estudante combinou a casca da fruta com sabão neutro biodegradável, resultando em um descarte que não contamina o solo, lençóis freáticos ou rios, fator crítico para a preservação da água no semiárido baiano.
A iniciativa surgiu a partir de um desafio proposto pela professora Mirian Carvalho para a criação de um item inovador baseado na pinha. O desenvolvimento contou com o apoio da diretora da instituição, Indira Neiva, e a colaboração de depósitos e produtores locais, que forneceram a matéria-prima necessária para os testes.
A aplicação prática do projeto impacta diretamente a economia de Presidente Dutra, reconhecida como a capital mundial da pinha. De acordo com a Secretaria de Agricultura, a cidade produz cerca de 20 mil toneladas da fruta por safra anual, sendo a principal fonte de renda e emprego da região. Até então, as toneladas de cascas descartadas não possuíam destino econômico, lacuna que o novo detergente visa preencher ao integrar a cadeia produtiva.
O projeto, que não possui registros de similares no mercado brasileiro, prevê agora a realização de novos testes para aprimorar a consistência, a durabilidade e a eficiência da fórmula. Também será feita uma avaliação formal do impacto ambiental para ratificar a sustentabilidade do produto.