Educação

Mulher Trans Conquista Vaga na UFRRJ Após 25 Anos Sem Estudo Formal, Inspirando com Sua História de Superação

22 de Março de 2026 às 12:06

Sabriiny Fogaça Lopes, aos 41 anos, foi aprovada na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro após deixar os estudos há mais de duas décadas. Ela estudou em programas como Educação de Jovens e Adultos (EJA) e participou dos Exames Nacionais do Ensino Médio (Enem). Agora, ela é diretora acadêmica no curso de Educação Especial da UFRRJ

A história inspiradora de Sabriiny Fogaça Lopes é um exemplo vivo do poder da educação em transformar vidas. Aos 41 anos, ela conquistou uma das maiores realizações possíveis: ser aprovada na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), após deixar os estudos há mais de duas décadas.

A jornada de Sabriiny foi marcada por obstáculos e desafios. Ela abandonou a escola aos 15 anos, vítima de discriminações e repressões severas que sofreria dos colegas. Durante 25 anos sem estudo formal, ela enfrentou dificuldades no mercado de trabalho, chegando a exercer atividades como cabeleireira.

No entanto, foi o desejo de mudar sua história e as motivações de amigos que incentivaram Sabriiny a dar uma nova chance aos estudos. Ela encontrou acolhida na Educação de Jovens e Adultos (EJA), onde pôde aprender em um ambiente diverso daquele enfrentado na juventude.

Com dedicação, ela se destacou nos projetos desenvolvidos no Colégio Estadual Barão de Tefé. Participando do Alunos Autores, Sabriiny contribuiu para a publicação de uma coletânea de contos em parceria com a Secretaria de Estado da Educação do Rio.

A aprovação nos Exames Nacionais do Ensino Médio (Enem) foi um marco importante. Após duas tentativas, Sabriiny conquistou vagas para dois cursos: Licenciatura em Educação do Campo e Licenciatura em Educação Especial, seu objetivo principal.

Agora Diretora de Diversidade do Diretório Acadêmico do curso de Educação Especial, ela confia que essa será apenas a primeira graduação. Sabriiny pretende voltar à universidade para cursar Serviço Social e construir uma carreira na educação especial.

A história de Sabriiny serve como um lembrete poderoso da importância do acesso igualitário à educação, especialmente para grupos historicamente marginalizados. Com a EJA oferecendo oportunidades aos jovens adultos que não tiveram chance inicialmente, é possível ver o impacto em suas vidas e na sociedade.

A Antra destaca que apenas 0,3% da população trans consegue acessar o ensino superior no Brasil. A exclusão desses grupos se deve à transfobia institucional e social, com índices baixíssimos de escolarização e formação profissional.

Para mudar essa realidade, medidas têm sido implementadas. Atualmente, 38 universidades públicas oferecem cotas para pessoas trans. No entanto, é crucial pensar em políticas de permanência que permitam aos estudantes concluir seus estudos.

A história de Sabriiny Fogaça Lopes serve como um chamado à ação: trabalhar pela inclusão e igualdade nos sistemas educacionais brasileiros para garantir o acesso da população trans ao ensino superior.

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