Esportes

Alexander Zverev vence primeiro Grand Slam após superar diagnóstico de diabetes tipo 1

09 de Junho de 2026 às 09:34

Alexander Zverev venceu o italiano Flavio Cobolli em cinco sets no domingo (7), em Paris, conquistando seu primeiro título de Grand Slam. O atleta possui diabetes tipo 1 e utiliza insulina e sensores de monitoramento para controlar a glicose durante as partidas

Alexander Zverev conquistou seu primeiro título de Grand Slam após 13 anos de carreira ao vencer o italiano Flavio Cobolli em cinco sets, no domingo (7), na quadra Philippe-Chatrier, em Paris. A vitória marca a superação de um diagnóstico de diabetes tipo 1 recebido aos quatro anos, condição que, na época, levou médicos a afirmarem que o atleta dificilmente alcançaria a elite do esporte.

O desempenho de alto rendimento no tênis exige um controle rigoroso da glicose, especialmente em partidas que superam quatro horas. Para quem possui diabetes tipo 1, o pâncreas não produz insulina, tornando o atleta dependente de doses externas calculadas para evitar oscilações perigosas. A hipoglicemia, com níveis de açúcar abaixo de 70 mg/dL, provoca tremores, suor intenso, confusão mental e taquicardia, exigindo a ingestão imediata de carboidratos. Já a hiperglicemia causa náuseas, fadiga e a presença de cetonas no sangue ou urina, podendo evoluir para cetoacidose — uma emergência fatal onde o organismo queima gordura como combustível devido à falta de insulina.

A manutenção da estabilidade glicêmica é fundamental para preservar a coordenação, a concentração e a clareza nas decisões táticas. Esse equilíbrio é complexo, pois a desidratação e o consumo de carboidratos durante o jogo aumentam a sensibilidade do corpo à insulina, exigindo ajustes precisos em frações de unidade para evitar a queda brusca do rendimento.

A viabilidade desse controle em competições é sustentada por tecnologias de monitoramento contínuo da glicose. Sensores adesivos inseridos sob a pele leem a glicose no líquido intersticial minuto a minuto, enviando os dados em tempo real para aplicativos compartilhados com a equipe médica. Embora haja um pequeno atraso na leitura em relação ao sangue, a ferramenta oferece setas de tendência que permitem ao atleta agir preventivamente nos intervalos entre os games, além de disparar alarmes de risco, inclusive durante o sono.

O tratamento combina insulina basal de ação prolongada com versões ultrarrápidas para a correção de picos. Embora existam sistemas híbridos com bombas de infusão que automatizam a liberação do hormônio, Zverev costuma desconectar o aparelho durante as partidas para não prejudicar a movimentação, realizando a reposição manual de insulina nas pausas.

Apesar do suporte técnico, a condição do tenista já gerou conflitos com a organização de torneios. Em 2023, no Roland Garros, Zverev foi impedido por um fiscal de aplicar insulina durante uma troca de lado na vitória contra Grigor Dimitrov, sob a alegação de que ele deveria deixar a quadra, o que consumiria suas limitadas pausas para o banheiro. O atleta questionou a abordagem, ressaltando que partidas de cinco sets podem exigir de quatro a cinco aplicações do hormônio.

Zverev possui autorização da International Tennis Integrity Agency (ITIA) para o uso de insulina, substância controlada pelas normas antidoping. A correção da glicose ao longo de provas longas é considerada um sinal de controle da doença e não uma complicação médica.

O cenário atual contrasta com o início da década de 1920, quando o diabetes tipo 1 era quase sempre fatal. A reversão desse quadro ocorreu em 1921, com o isolamento da insulina por Frederick Banting e Charles Best, permitindo que a condição se tornasse uma doença crônica controlável.

Zverev manteve sua condição em sigilo durante as competições de base por medo de ser barrado. Apenas em 2022 ele tornou a informação pública e fundou, em Hamburgo, uma instituição voltada ao auxílio de crianças com diabetes tipo 1 e ao fornecimento de insulina em países de baixa renda.

Notícias Relacionadas