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Brasil se torna o segundo maior mercado de fisiculturismo do mundo com movimentação bilionária

26 de Maio de 2026 às 12:10

O Brasil é o segundo maior mercado mundial de fisiculturismo, movimentando anualmente entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. O setor cresceu com a influência de redes sociais e atletas como Ramon Dino, mas envolve riscos à saúde pelo uso de anabolizantes. A morte de Gabriel Ganley, de 22 anos, em São Paulo, evidenciou esses perigos cardiovasculares

Brasil se torna o segundo maior mercado de fisiculturismo do mundo com movimentação bilionária
Reprodução/TV Globo

O Brasil consolidou-se como o segundo maior mercado de fisiculturismo do mundo, superado apenas pelos Estados Unidos, movimentando anualmente entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. A expansão da modalidade foi impulsionada pelas redes sociais, que transformaram atletas em celebridades nacionais e atraíram milhares de jovens por meio da divulgação de dietas rigorosas, rotinas de treino e transformações físicas.

O principal expoente desse crescimento é Ramon Dino, o "Dinossauro do Acre". Aos 30 anos, ele se tornou o primeiro brasileiro a vencer a principal competição mundial da categoria. Dino iniciou sua trajetória em praças públicas de Rio Branco, treinando com o peso do próprio corpo e consumindo 30 ovos por dia devido à falta de recursos para comprar carne. Sua visibilidade global cresceu durante a pandemia, quando seus vídeos de treino viralizaram.

A profissionalização do setor gerou um ecossistema de patrocínios, marcas de suplementos, vestuário fitness e academias especializadas. No entanto, a busca pelo corpo esculpido exige sacrifícios extremos. Em certas fases, atletas consomem até 8 mil calorias diárias, enquanto em períodos pré-competição adotam dietas restritivas para atingir percentuais de gordura corporal entre 2% e 3%. O processo inclui ainda privação social, controle rígido da rotina e desidratação severa para destacar a musculatura.

Esse cenário é acompanhado por riscos graves à saúde, especialmente devido ao uso de hormônios e anabolizantes. Médicos alertam que não existe dose segura de tais substâncias para fins estéticos, apontando efeitos colaterais que variam de acne e queda de cabelo até atrofia testicular. O cardiologista Alexandre Carvalho destaca os perigos cardiovasculares, que incluem insuficiência cardíaca, AVC e infarto.

A gravidade desses riscos foi evidenciada pela morte de Gabriel Ganley, de 22 anos, encontrado no último sábado (23), na Zona Leste de São Paulo. O atestado de óbito indicou cardiomiopatia hipertrófica, doença cardíaca que pode ser agravada por anabolizantes. Ganley havia relatado, em julho de 2025, que iniciara o uso de substâncias. O próprio Ramon Dino reconhece os perigos inerentes ao estilo de vida adotado no esporte.

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