Especialistas alertam a Fifa que medidas contra o calor na Copa de 2026 são inadequadas
Vinte acadêmicos internacionais alertam a Fifa sobre a insuficiência das medidas de segurança contra o calor para a Copa de 2026. O grupo aponta riscos de estresse térmico em 14 dos 16 estádios e solicita a reformulação de protocolos, incluindo a suspensão de jogos com WBGT acima de 28°C
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Especialistas internacionais em saúde, clima e desempenho esportivo alertam a Fifa que as medidas de segurança contra o calor para a Copa do Mundo de 2026 são inadequadas e podem causar danos graves à saúde dos atletas. Em carta aberta, 20 acadêmicos do Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Europa afirmam que as diretrizes atuais da entidade estão defasadas e não possuem justificativa diante das evidências científicas.
O risco é acentuado pelo cenário geográfico do torneio, sediado por Estados Unidos, Canadá e México. Pesquisadores indicam que 14 dos 16 estádios previstos podem registrar temperaturas em níveis perigosos. Em regiões do norte do México e sul dos EUA, as máximas diárias médias variam entre 30°C e 35°C, com picos próximos aos 40°C. A combinação de temperatura, umidade, radiação solar e velocidade do vento eleva a probabilidade de estresse térmico extremo nos jogadores.
Uma análise da World Weather Attribution aponta que o risco de calor intenso e umidade é significativamente maior do que na Copa de 1994, com a probabilidade de condições extremas ter quase dobrado devido às mudanças climáticas. A estimativa é que 25% das partidas ocorram com a Temperatura de Globo de Bulbo Úmido (WBGT) acima de 26°C. Cerca de cinco jogos podem ultrapassar os 28°C de WBGT — marca que equivale a 38°C de calor seco ou 30°C com alta umidade —, patamar considerado inseguro pelo sindicato global de jogadores FIFPRO.
Diante disso, os cientistas exigem a reformulação urgente dos protocolos, propondo a suspensão ou adiamento de partidas sempre que o WBGT exceder 28°C. O grupo solicita a ampliação das pausas de resfriamento para, no mínimo, seis minutos, além de melhorias nas estruturas de recuperação dos atletas e a adoção dos padrões sugeridos pela FIFPRO. Andrew Simms, coordenador da carta, e Douglas Casa, signatário do documento, reforçam que a segurança é urgente, pois o superaquecimento do corpo humano ocorre rapidamente e as pausas atuais de três minutos são insuficientes.
Atualmente, a Fifa utiliza o WBGT para monitorar o estresse térmico, considerando 28°C como o limite de preocupação para atletas de elite. O manual de emergência da entidade prevê que, a partir de 32°C de WBGT, os organizadores decidam as precauções necessárias. As medidas já implementadas incluem pausas obrigatórias de três minutos por tempo, independentemente do clima, e bancos climatizados para reservas e comissões técnicas em estádios abertos. Para o público, a Fifa prevê a permissão de garrafas de água lacradas, áreas de sombra, sistemas de névoa d'água, ônibus climatizados e maior distribuição de água.
A Fifa informou que utiliza um modelo escalonado de mitigação do calor com suporte meteorológico centralizado e nas cidades-sede. A entidade afirma que o calendário foi ajustado para evitar horários mais quentes, priorizando estádios cobertos e otimizando dias de descanso e deslocamentos. Embora não tenha comentado especificamente a carta dos cientistas, a organização declarou estar comprometida com a segurança de jogadores, árbitros, torcedores e funcionários, trabalhando com autoridades locais e médicos para garantir a resiliência do evento.