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Evolução física de atletas torna o futebol mais rápido e aumenta a longevidade dos jogadores

20 de Junho de 2026 às 12:03

A evolução física dos atletas de elite tornou o futebol mais rápido, com aumento da altura média e da velocidade máxima. Dados da Uefa e Fifa indicam maior intensidade de arrancadas e longevidade dos jogadores, apesar do crescimento nas lesões musculares por sobrecarga

Evolução física de atletas torna o futebol mais rápido e aumenta a longevidade dos jogadores
Getty Images/BBC

A evolução biológica e fisiológica dos atletas de elite transformou radicalmente a dinâmica do futebol nas últimas cinco décadas. Um comparativo entre gols históricos ilustra essa mudança: enquanto a seleção brasileira levou 30 segundos para construir a jogada do quarto gol contra a Itália na final da Copa de 1970, com oito jogadores envolvidos, a Argentina precisou de apenas 12 segundos e sete passes para marcar contra a França na final de 2022.

Essa aceleração do jogo é reflexo de uma mudança na composição física dos jogadores. Pesquisas da Universidade de Wolverhampton, que analisaram a primeira divisão inglesa entre 1970 e 2020, revelam que os atletas se tornaram mais altos e magros, apresentando um perfil mais angular e ectomorfo. Entre 1973 e 2013, a altura média subiu mais de 4 cm, tendência que persistiu para zagueiros e goleiros, enquanto houve uma leve redução na estatura de atacantes e meio-campistas.

Essa transformação corporal, medida pelo Recíproco do Índice Ponderal (RIP), é atribuída à melhoria da qualidade dos gramados e ao aumento da carga de trabalho. Nos anos 1970, a lama dos campos ingleses exigia atletas mais musculosos; hoje, a leveza permite a manutenção do desempenho por períodos prolongados e maior economia de energia.

A velocidade tornou-se um fator determinante. Se nas décadas de 1970 e 1980 era raro atletas superarem os 30 km/h, na Copa de 2022 ao menos dez jogadores ultrapassaram os 35 km/h. A intensidade também cresceu: na Eurocopa de 2024, a Uefa registrou que os jogadores atingiram 25 km/h ou mais cerca de 12 vezes por partida. Esse volume de arrancadas varia por posição, sendo maior entre laterais (14 vezes), atacantes (12 vezes) e menor entre meio-campistas e zagueiros centrais (8 vezes).

O jogo contemporâneo, marcado por táticas de alta pressão para recuperar a posse de bola, prioriza a capacidade de recuperação rápida. Curiosamente, a distância total percorrida não acompanhou esse crescimento linear. A média era de 8,7 km por jogo nos anos 1970, atingiu o pico de 11,4 km nos anos 1990 e recuou para 10,6 km na Copa de 2022, segundo a Fifa.

Apesar da evolução técnica, a sobrecarga física é crescente. Enquanto a média de jogos por clube permanece estável em 42 anuais, atletas de elite enfrentam calendários exaustivos. O zagueiro Virgil van Dijk, por exemplo, somou 65 partidas em uma única temporada, incluindo 10 compromissos nacionais antes do Mundial. Esse cenário elevou o risco de lesões, com a Uefa apontando um aumento preocupante em danos aos músculos da coxa nas últimas oito temporadas.

Por outro lado, avanços em nutrição, treinamento e recuperação estenderam a longevidade dos atletas. A idade média na Champions League subiu de 24,9 anos em 1992 para 26,5 em 2018. A Copa de 2018 teve a maior média etária da história (27,9 anos). O número de jogadores com 35 anos ou mais saltou de sete na Copa de 1990 para 41 na de 2022. Atualmente, a relação da Fifa conta com 72 atletas nessa faixa etária, sendo oito deles com 40 anos ou mais, superando a soma de todas as edições anteriores do torneio.

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