Fifa projeta arrecadar US$ 9 bilhões na Copa do Mundo de 2026
A Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, México e Canadá, prevê arrecadar US$ 9 bilhões este ano. O torneio conta com 48 seleções e 104 partidas, com a Fifa planejando redistribuir US$ 2,7 bilhões para associações nacionais em quatro anos
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A Copa do Mundo de 2026, iniciada na última quinta-feira (11) com sedes nos Estados Unidos, México e Canadá, projeta a maior receita da história do esporte, com a Fifa prevendo arrecadar US$ 9 bilhões apenas este ano. O montante permitirá a redistribuição de US$ 2,7 bilhões para associações nacionais de futebol nos próximos quatro anos. O torneio, que conta com 48 seleções e 104 partidas, utiliza a infraestrutura já existente nos três países, mas enfrenta críticas severas devido aos custos elevados e a tensões geopolíticas.
O impacto financeiro reflete-se nos ingressos, que geraram indignação por preços superiores às promessas iniciais. Enquanto a estimativa de 2018 previa teto de US$ 1.550 para a final, os valores chegaram a US$ 8.680 em dezembro. A implementação de tarifas dinâmicas e a comissão de 30% retida pela Fifa em revendas oficiais levaram autoridades de Nova York e Nova Jersey a investigar possíveis inflações artificiais de preços. Além disso, o transporte para a final no Estádio MetLife sofreu reajustes bruscos, com passagens de trem saltando de US$ 12,90 para até US$ 150.
No campo geopolítico, a competição é marcada por conflitos diplomáticos inéditos. A seleção do Irã teve sua base de operações transferida dos Estados Unidos para o México devido a operações militares conduzidas por Washington e Israel. O governo americano impôs restrições de vistos a dirigentes iranianos e revogou ingressos de torcedores daquela nação, que terá jogos em Los Angeles. Além do Irã, torcedores do Haiti, Senegal e Costa do Mar Ivory enfrentam proibições totais ou parciais de viagem. A análise de vistos revelou que mais de 25% dos países participantes sofrem restrições rigorosas de entrada nos Estados Unidos.
As políticas migratórias também afetaram a arbitragem, com a exclusão do somalino Omar Artan da lista de colegiados após a negação de seu visto. Organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch alertam para o risco de "sportswashing" e repressão, citando as práticas do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
No México, o cenário é de instabilidade. O Estádio Azteca, que abre o torneio pela terceira vez na história, convive com manifestações contra a Copa, derrubada de estátuas de jogadores e ameaças de professores que exigem melhores salários. A segurança pública também é um ponto crítico devido à violência dos cartéis.
A sustentabilidade e a saúde são outros eixos de controvérsia. O evento é apontado como o mais prejudicial ao clima, com a emissão de mais de 9 milhões de toneladas de CO₂, quase o dobro da média dos últimos quatro Mundiais, devido à dependência de voos aéreos. Simultaneamente, cientistas alertam que as medidas contra o calor extremo são insuficientes em 14 das 16 sedes, colocando em risco atletas e espectadores. A polêmica se estendeu à proibição inicial de garrafas de água reutilizáveis nos estádios, medida que a Fifa reverteu parcialmente para permitir garrafas descartáveis lacradas.
Apesar dos desafios, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, defende a edição como a mais inclusiva e unificadora. O dirigente, que mantém proximidade com Donald Trump, vê no mercado americano — que representa 3% do PIB mundial do esporte — uma oportunidade de crescimento avaliada em trilhões de dólares. Contudo, pesquisas indicam que a maioria dos americanos considera o torneio caro demais, e a baixa taxa de reservas hoteleiras em diversas cidades-sede sugere que os custos e o clima político afastaram parte do público.