Jogadores utilizam equipamentos de proteção facial e craniana durante a Copa do Mundo
Raúl Jiménez e Sebastián Cáceres utilizaram equipamentos de proteção facial e craniana na Copa do Mundo. O mexicano usa faixa protetora devido a uma fratura de crânio, enquanto o uruguaio utiliza máscara por lesões na face
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Raúl Jiménez e Sebastián Cáceres entraram em campo na Copa do Mundo utilizando equipamentos de proteção facial e craniana, embora os acessórios atendam a necessidades médicas distintas. O atacante mexicano, que marcou na estreia do seu país, utiliza uma faixa protetora desde 2020, após sofrer uma fratura de crânio e hemorragia intracraniana em um choque de cabeça contra David Luiz, durante jogo entre Wolverhampton e Arsenal. Na ocasião, Jiménez precisou de cirurgia de emergência para conter o sangramento interno, que aumenta a pressão sobre o cérebro e pode causar sequelas graves ou morte.
Já o uruguaio Sebastián Cáceres estreou no torneio na última segunda-feira (15) com uma máscara preta. O acessório foi adotado após uma pancada sofrida em maio, que resultou em concussão cerebral, trauma ocular e fratura no arco zigomático, osso da maçã do rosto que protege a órbita ocular e apoia músculos da mastigação.
Enquanto a faixa de Jiménez visa reduzir o impacto em uma área do crânio já operada, a máscara de Cáceres atua como uma barreira mecânica de termoplástico ou fibra de carbono para proteger os ossos da face. De acordo com o neurocirurgião Helder Picarelli, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), esse tipo de equipamento distribui a força da pancada por uma área maior, permitindo que o atleta retorne à atividade antes da consolidação total da fratura, desde que a lesão esteja estável.
Apesar das diferenças estruturais, ambos os acessórios possuem limitações e não impedem a ocorrência de concussões cerebrais. A concussão ocorre quando a energia do impacto desloca o cérebro dentro do crânio, alterando temporariamente a função dos neurônios, independentemente do uso de máscaras ou capacetes. Os sintomas imediatos incluem perda de consciência, confusão mental, tontura, náuseas e amnésia, podendo evoluir para contusões ou sangramentos internos.
A longo prazo, traumatismos repetidos na cabeça podem gerar problemas de memória, alterações cognitivas e quadros neurodegenerativos, como a encefalopatia traumática crônica (ETC), comum em boxeadores e jogadores de futebol americano. Esse cenário levou as entidades esportivas a endurecerem os protocolos de avaliação pós-impacto, priorizando a saúde do atleta diante de riscos que podem se manifestar anos após o trauma.