Justiça

Agente da Polícia Federal é alvo de operação por prestar serviços a grupo criminoso

14 de Maio de 2026 às 15:05

A Polícia Federal deflagrou a 6ª fase da Operação Compliance Zero contra o agente Anderson Wander da Silva Lima. O servidor é acusado de repassar informações sigilosas e dados processuais a um grupo criminoso em troca de remuneração

Um agente da Polícia Federal, lotado na Delegacia Especial do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, é alvo da 6ª fase da Operação Compliance Zero por atuar na prestação de serviços ilegais para um grupo criminoso. A investigação, que fundamentou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a deflagração da operação nesta quinta-feira (14), identifica o servidor como Anderson Wander da Silva Lima.

O agente operava junto a Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado e integrante do núcleo denominado "A Turma", braço responsável por realizar ameaças violentas contra adversários do banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com a Polícia Federal, a cooperação entre Anderson e Marilson tornou-se estável a partir de agosto de 2023, período em que o servidor passou a repassar informações sigilosas sob demanda.

A natureza da relação evidenciava a disposição do agente em atuar reiteradamente para a organização em troca de remuneração. Em setembro de 2023, Anderson manifestou interesse em realizar novos "trabalhinhos", ao que Marilson respondeu que surgiria uma oportunidade no mês seguinte, possivelmente no Rio de Janeiro, demandando o apoio do servidor. Em outubro, o agente foi acionado para verificar a localização de uma pessoa no Chile, demanda que foi dada como resolvida.

A atuação criminosa avançou para o compartilhamento de dados processuais em fevereiro de 2024. Na ocasião, Marilson solicitou informações sobre um inquérito de crimes financeiros ligado a Daniel Vorcaro. Para obter o conteúdo, Anderson mobilizou outros três colegas da Polícia Federal. O servidor chegou a ser repreendido por Marilson ao enviar a íntegra do processo, já que o integrante do grupo desejava apenas dados sucintos do documento.

Uma semana após esse episódio, o agente foi novamente procurado para fornecer detalhes sobre uma intimação recebida por Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, que também foi preso durante a operação realizada nesta quinta-feira.

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