Justiça

Brasil registra queda de 6,7% nos assassinatos de mulheres em 2024

26 de Maio de 2026 às 12:06

O Brasil registrou 3.642 assassinatos de mulheres em 2024, queda de 6,7% em relação ao ano anterior, segundo o Atlas da Violência 2026. Mulheres negras representaram 67,5% das vítimas, enquanto 35,2% das mortes violentas ocorreram em residências. Houve aumento de 6,1% na violência não letal e de 10,8% nos casos de violência sexual

Brasil registra queda de 6,7% nos assassinatos de mulheres em 2024
Bruna Bonfim/g1

O Brasil registrou 3.642 assassinatos de mulheres em 2024, o que representa uma taxa de 3,4 mortes para cada 100 mil pessoas do sexo feminino. O dado, divulgado nesta terça-feira (25) pelo Atlas da Violência 2026 — relatório anual do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) —, indica um recuo de 6,7% em comparação aos 3.903 homicídios documentados em 2023.

A série histórica iniciada em 2014 revela uma tendência de queda, com redução de 27,7% na taxa de mortes violentas femininas em dez anos. No entanto, o volume total de vítimas permanece expressivo, somando 46.336 mulheres assassinadas na última década. O pico de letalidade ocorreu em 2017, quando a taxa atingiu 4,7 mortes por 100 mil mulheres.

A distribuição geográfica da violência evidencia a concentração de crimes nas regiões Norte e Nordeste. Roraima apresentou o índice mais alto do país (12,6), seguido por Rondônia (5,7), Ceará (5,7), Bahia (5,4) e Pernambuco (5,4). No extremo oposto, São Paulo registrou a menor taxa em 2024, com 1,5 homicídio por 100 mil mulheres, mantendo a trajetória de queda desde 2014, quando o índice era de 2,7. Outros estados que ficaram abaixo da média nacional foram Acre (2,8), Amapá (2,5), Distrito Federal (2,2), Rio de Janeiro (2,9), Rio Grande do Norte (2,8), Santa Catarina (2,2) e Sergipe (2,2), com reduções expressivas em Sergipe (-37,1%) e Amapá (-32,4%).

O perfil das vítimas aponta para uma disparidade racial acentuada: 67,5% das mulheres assassinadas em 2024 eram negras, totalizando 2.457 casos. Para esse grupo, a taxa de homicídios caiu de 5,6 para 4 mortes por 100 mil mulheres entre 2014 e 2024, uma redução de 28,6%.

Um ponto crítico identificado no estudo é a resistência da violência doméstica. Enquanto os assassinatos fora de casa acompanharam a queda geral, 35,2% das mortes violentas de mulheres ocorreram dentro de suas residências — a mesma proporção de 2023. A antropóloga Débora Diniz destaca que a violência contra a mulher no Brasil possui perfil social e endereço definidos, concentrando-se no ambiente doméstico e atingindo majoritariamente mulheres negras, manifestando-se desde a negligência contra crianças e idosas até agressões físicas e sexuais em adultas.

Paralelamente aos crimes letais, a violência não letal cresceu 6,1% em 2024, atingindo 293.842 mulheres, sendo que 64% desses casos ocorreram no contexto doméstico. Houve um aumento de 13,8% nas notificações de negligência, incidindo principalmente sobre crianças de 0 a 9 anos (51,9%) e idosos acima de 70 anos. A diretora do FBSP, Samira Bueno, observa que esses registros englobam desde o abandono intencional até acidentes domésticos decorrentes da vulnerabilidade socioeconômica, especialmente em famílias chefiadas por mães solo.

A violência sexual também apresentou alta de 10,8%, com impacto severo entre meninas de 10 a 14 anos, onde 45,5% das agressões reportadas foram de natureza sexual. Já na faixa dos 15 aos 69 anos, a violência física é a manifestação predominante, frequentemente associada a relações íntimas e a múltiplas formas de agressão simultâneas.

O relatório aponta ainda um crescimento de 27,2% nos registros de violência doméstica não identificada, sem detalhamento do tipo de agressão. Samira Bueno alerta que a qualidade dessas classificações precisa ser aprimorada, mencionando que o aumento de mortes registradas como "causa indeterminada" nos últimos anos pode mascarar homicídios femininos e gerar subnotificação dos crimes.

Com informações de G1

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