Brasileiro é preso preventivamente por abusos sexuais contra crianças em escolas de Paris
Brasileiro de 51 anos foi preso preventivamente e processado por estupro, agressão e exposição sexual de crianças em escolas de Paris. A investigação baseia-se em 30 denúncias de abusos contra vítimas entre 2 e 4 anos, resultando na detenção de outros suspeitos
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/X/T/FSYVdXQOOXONPFEv180Q/fotojet-2026-05-22t160012.154.jpg)
Um brasileiro de 51 anos foi colocado em prisão preventiva e processado nesta sexta-feira (22) por estupro, agressão e exposição sexual de crianças em Paris, na França. O caso integra uma investigação sobre abusos cometidos em escolas de educação infantil na capital francesa, na qual outro homem, não identificado, também permanece preso preventivamente sob as mesmas acusações.
As medidas judiciais ocorreram após uma operação policial realizada na quarta-feira (20), que resultou na detenção de 16 pessoas para interrogatório. Desse grupo, três monitores, com idades entre 30 e 51 anos, foram encaminhados ao juiz de instrução por atos de natureza sexual. Uma mulher, que estava entre os detidos, foi liberada nesta sexta-feira, embora permaneça sob supervisão judicial — decisão que a associação de pais de alunos Pequenos Heróis de Saint-Do afirmou que irá contestar.
O brasileiro processado atuava como monitor de oficinas de música para crianças de escolas maternais. De acordo com defesas do caso, ele já era alvo de suspeitas das autoridades do 7º distrito de Paris desde novembro, após alertas de pais, mas foi transferido para outra instituição no 15º distrito em dezembro, em vez de ser suspenso.
O inquérito baseia-se em cerca de 30 denúncias registradas entre o final do ano passado e fevereiro deste ano, envolvendo vítimas com idades entre 2 e 4 anos. Relatos de familiares indicam que as crianças eram isoladas em duplas por monitores. Em um dos casos, um menino de 4 anos relatou ter sido forçado a beijar partes íntimas do monitor, enquanto uma assistente beijava as nádegas das crianças enquanto o homem registrava as cenas com fotos ou vídeos. A associação de pais mencionou, ainda, que a monitora citada foi flagrada por câmeras escondidas beijando uma criança na boca.
Outra vítima, uma menina de 3 anos, foi alvo de estupro cometido pelo brasileiro na escola onde ele trabalhava no ano passado. A mãe da criança denunciou não apenas o brasileiro, mas também outro monitor por agressão sexual e uma terceira pessoa, que atuava como assistente do investigado.
As famílias criticam a demora das autoridades e a postura inicial da escola, que teria negado as acusações. O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, reuniu-se com os pais na última semana, pedindo desculpas em nome da prefeitura e reconhecendo a falha na proteção das crianças. A associação Pequenos Heróis de Saint-Do manifestou indignação contra a prefeitura de Paris e a escola Saint-Dominique pelas sucessivas omissões.
Atualmente, a equipe das oficinas extracurriculares foi renovada e os monitores denunciados foram afastados. Algumas famílias seguem custeando apoio psicológico particular para as crianças, diante da ausência de suporte institucional.