Justiça

Dono do Banco Master propõe nova delação com detalhes sobre financiamento de filme de Bolsonaro

10 de Junho de 2026 às 06:12

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresentou nova proposta de colaboração premiada à PF e à PGR após a rejeição de um acordo anterior. O banqueiro, acusado de fraudes de R$ 12 bilhões, detalhou repasses de R$ 61 milhões para filme sobre Jair Bolsonaro e pagamentos a Ciro Nogueira. A defesa propôs elevar a restituição à União para R$ 60 bilhões

Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apresentou uma nova proposta de colaboração premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), após ter a primeira versão do acordo rejeitada no mês passado. O banqueiro, que cumpre prisão em Brasília, é acusado de liderar fraudes financeiras que podem totalizar R$ 12 bilhões.

Nesta nova tentativa de acordo, a defesa de Vorcaro incluiu detalhes sobre o financiamento de "Dark Horse", obra cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com informações do Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos ao banqueiro para a produção, que teria recebido R$ 61 milhões. Vorcaro, contudo, não classifica esses repasses como propina.

O documento também aborda a relação do empresário com o senador Ciro Nogueira, presidente do PP. Em maio, Nogueira foi alvo de operação da PF sob a acusação de utilizar seu mandato para beneficiar o Banco Master. As investigações apontam que Vorcaro teria entregue ao senador um envelope contendo um projeto de lei alinhado aos seus interesses, além do pagamento de uma mesada no valor de R$ 500 mil. Na nova proposta, a defesa tenta atenuar as responsabilidades do banqueiro sobre esses fatos já conhecidos pela polícia.

A tendência atual é que o acordo seja novamente negado, pois investigadores consideram que as informações apresentadas não trazem elementos inéditos e sugerem uma tentativa de proteger pessoas próximas. A PF já possui amplo material de prova, incluindo o conteúdo do primeiro celular apreendido com Vorcaro em novembro do ano passado, além de outros oito aparelhos. A perícia inicial indica que a atuação do banqueiro extrapola as fraudes financeiras, envolvendo organização criminosa, corrupção e o uso de milícia privada para obtenção de dados sigilosos e ataques a adversários.

As negociações para a delação premiada concentram-se na devolução de ativos e na comprovação de atos de ofício de autoridades. Em 22 de maio, interlocutores de Vorcaro sinalizaram que o valor a ser restituído à União, caso o acordo com a PGR seja concretizado, subiria de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões.

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