Justiça

Elon Musk pede indenização de US$ 150 bilhões em processo contra a OpenAI e Sam Altman

14 de Maio de 2026 às 15:22

O processo de Elon Musk contra a OpenAI e Sam Altman entrou na fase final no tribunal federal da Califórnia. Musk pleiteia a saída de Altman e Greg Brockman da gestão, além de US$ 150 bilhões em indenização para a entidade sem fins lucrativos da empresa. A decisão final será tomada por um júri de nove pessoas

Elon Musk pede indenização de US$ 150 bilhões em processo contra a OpenAI e Sam Altman
Godofredo A. Vásquez/AP Photo

O julgamento movido por Elon Musk contra a OpenAI e seu CEO, Sam Altman, entrou na fase final nesta quinta-feira (14), no tribunal federal de Oakland, Califórnia. A ação, supervisionada pela juíza distrital Yvonne Gonzalez Rogers, busca a remoção de Altman e do presidente Greg Brockman de seus cargos, além de uma indenização de US$ 150 bilhões, valor que seria destinado à entidade sem fins lucrativos da OpenAI para fomentar objetivos altruístas.

O cerne da disputa reside na acusação de que a OpenAI, fundada em 2015 por Musk e Altman, teria traído sua missão original de desenvolver inteligência artificial segura para o benefício da humanidade. Musk, que deixou o conselho da organização em 2018, alega ter sido manipulado a doar US$ 38 milhões para a instituição, que posteriormente teria sido convertida em um veículo de enriquecimento pessoal e lucro, operando sem o seu conhecimento.

Durante as alegações finais, a defesa de Musk, representada pelo advogado Steven Molo, focou na credibilidade dos executivos. Molo questionou a honestidade de Altman e Brockman, citando depoimentos que apontam a falta de transparência de Altman, inclusive mencionando sua breve destituição do conselho da empresa em 2023. A defesa também destacou possíveis conflitos de interesse, apontando que Altman teria participações superiores a US$ 2 bilhões em empresas parceiras da OpenAI, enquanto a fatia de Brockman na organização seria avaliada em quase US$ 30 bilhões.

Em contrapartida, a OpenAI argumenta que a transição para um modelo com fins lucrativos foi necessária para atrair investimentos em poder computacional e enfrentar a concorrência, como a do Google. A empresa sustenta que o próprio Musk teria apoiado essa mudança e que sua atual ação judicial seria motivada pelo desejo de obter controle unilateral sobre o negócio. Como prova dessa intenção, a OpenAI mencionou a tentativa de Musk, no ano passado, de adquirir a companhia por meio de um consórcio liderado por sua própria startup, a xAI.

A dimensão financeira do caso é evidenciada pelo testemunho de um executivo da Microsoft, que confirmou investimentos superiores a US$ 100 bilhões na parceria com a OpenAI. Atualmente, a empresa prepara uma possível abertura de capital (IPO) com avaliação estimada em US$ 1 trilhão, competindo com players como a Anthropic e a xAI — esta última agora integrada à SpaceX, empresa de foguetes de Musk que também planeja um IPO.

A decisão final cabe a um júri de nove pessoas. Caso não haja um veredicto até segunda-feira, a juíza e as partes envolvidas se reunirão para discutir a reestruturação da OpenAI e as eventuais reparações financeiras. Se Musk for derrotado, a juíza Gonzalez Rogers não concederá nenhuma indenização.

O processo ocorre em um momento de crescente debate público sobre os impactos da inteligência artificial, cujas aplicações em diagnósticos médicos, reconhecimento facial e criação de deepfakes geram receios sobre a substituição de postos de trabalho e a segurança da tecnologia.

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