Justiça

Empresa que intermediou repasses para filme sobre Bolsonaro recebeu R$ 159,2 milhões de fundos sob investigação

14 de Maio de 2026 às 06:06

A Entre Investimentos, que intermediou repasses para o filme sobre Jair Bolsonaro, recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal por fraude no Banco Master. A empresa movimentou recursos de entidades ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e a suspeitas de lavagem de dinheiro do PCC. O Banco Central liquidou a Entrepay, grupo da investidora, em março deste ano

A Entre Investimentos e Participações, empresa que intermediou repasses financeiros entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção do filme *Dark Horse*, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu R$ 159,2 milhões de fundos sob investigação da Polícia Federal por fraude no Banco Master. As movimentações foram detalhadas em relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre companhias ligadas ao Banco Master e à Entre Investimentos.

O fluxo financeiro envolveu a Sefer Investimentos, alvo da segunda fase da operação Compliance Zero em janeiro deste ano devido a vínculos com Vorcaro, que transferiu R$ 139,2 milhões para a Entre. Outros R$ 20 milhões vieram do fundo Gold Style, administrado pela Reag. Esta última também possui ligação com o banqueiro e movimentou quase R$ 1 bilhão de empresas apontadas pela PF como parte de um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor financeiro.

A investidora recebeu ainda R$ 154,2 milhões do fundo Dublin, vinculado à Sefer. Outras transferências provêm de entidades sem ligação direta com Vorcaro, mas sob suspeita, como a Inovanti Bank, que enviou R$ 35,7 milhões à Entre Investimentos após ter movimentado recursos da facção criminosa paulista. Em sentido oposto, a Entre Investimentos transferiu R$ 87,7 milhões para a RMD Instituição de Pagamento, suspeita de operar para o PCC.

A Entre Investimentos integra o grupo Entrepay, de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. A Entrepay foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em março deste ano, devido ao comprometimento de sua situação econômico-financeira, irregularidades normativas e riscos anormais aos credores. Em nota, o Grupo Entre afirmou que já conduzia um processo estruturado de descontinuação das operações dessas sociedades como parte de uma revisão de portfólio e que colabora com as autoridades.

A relação entre a empresa e o filme sobre Jair Bolsonaro surgiu em mensagens e áudios do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que cobrava de Vorcaro pagamentos relativos à obra. O acordo total previa R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões foram pagos pelo dono do Banco Master, parte via Entre Investimentos. O publicitário Thiago Miranda confirmou ter intermediado a negociação para o aporte de R$ 62 milhões, ressaltando que os repasses foram interrompidos com a crise no Banco Master e que a participação de Vorcaro deveria ser sigilosa.

Daniel Vorcaro encontra-se preso em Brasília, sob acusação de chefiar um esquema de fraudes financeiras que pode somar R$ 12 bilhões. Paralelamente, a Entre Investimentos e o Banco Master estiveram envolvidos em um processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre supostas operações fraudulentas com cotas de um fundo imobiliário. O colegiado da autarquia rejeitou um acordo de R$ 21,3 milhões proposto por executivos e empresas, incluindo a Entre e o Master, mantendo o processo que pode resultar em multas e impedimentos de atuação no mercado.

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