Justiça

Empresária nega ter repassado valores a Fábio Luís em depoimento à Polícia Federal

20 de Maio de 2026 às 15:27

A empresária Roberta Luchsinger negou à Polícia Federal ter transferido valores a Fábio Luís Lula da Silva em inquérito sobre descontos indevidos no INSS. A PF apurou que Antônio Camilo pagou R$ 1,5 milhão a Luchsinger, que repassou R$ 640 mil a uma agência de viagens de Fábio Luís. As defesas negam irregularidades e o recebimento de quantias por parte de Fábio Luís

A empresária Roberta Luchsinger negou, em depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (20), ter repassado quaisquer valores a Fábio Luís Lula da Silva. A declaração ocorreu no âmbito de um inquérito que investiga a ocorrência de descontos indevidos, na ordem de bilhões, junto ao INSS.

Luchsinger e Fábio Luís tornaram-se alvos da investigação devido a possíveis vínculos com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Durante a oitiva, que durou cerca de 50 minutos, a empresária admitiu possuir uma relação de amizade com Fábio Luís e sua esposa, mas refutou a existência de qualquer transação financeira entre eles. Ela confirmou ter apresentado Antônio Camilo a Fábio Luís em contextos sociais e relatou que, após o início da Operação Sem Desconto, temeu que esse contato fosse utilizado para fins políticos.

A Polícia Federal apura a movimentação de recursos envolvendo uma agência de viagens utilizada por Fábio Luís. Os investigadores identificaram que, no período entre novembro de 2024 e março de 2025, Antônio Camilo efetuou cinco pagamentos de R$ 300 mil cada à empresa de Roberta Luchsinger, totalizando R$ 1,5 milhão. Paralelamente, quando o empresário transferiu mais de R$ 1 milhão para a empresária, ela realizou pagamentos de R$ 640 mil à referida agência de viagens.

A investigação conta com evidências como mensagens apreendidas, nas quais Antônio Camilo menciona a necessidade de pagar mais uma parcela de R$ 300 mil, referindo-se ao destinatário como "o filho do rapaz". Além disso, Edson Claro, ex-funcionário de Antônio Camilo, afirmou em depoimento ter ouvido do empresário que era paga uma mesada de R$ 300 mil para Fábio Luís. Roberta Luchsinger, por sua vez, declarou não conhecer Edson Claro nem Danielle Fonteles, secretárias de Antônio Camilo.

Sobre as viagens, a defesa de Luchsinger afirmou que ela nunca viajou com Fábio Luís e Antônio Camilo, seja no Brasil ou em Portugal. A nota esclarece que a viagem a Portugal teria sido de prospecção de negócios, fora do escopo de seus serviços, e que o convite a Fábio Luís ocorreu devido ao interesse dele no uso de medicamentos à base de canabidiol por familiares.

A defesa da empresária sustenta que os valores recebidos de Antônio Camilo foram a remuneração por serviços de regulação do mercado de canabidiol no Brasil. Segundo os advogados, Roberta acreditava que os recursos provinham da atuação legítima de Antônio Camilo no setor farmacêutico e que ela desconhecia qualquer irregularidade relacionada a descontos associativos do INSS, encerrando a prestação de serviços assim que a Operação Sem Desconto foi deflagrada.

A defesa de Fábio Luís nega qualquer envolvimento, direto ou indireto, com os fatos investigados, assegurando que ele jamais recebeu valores de Antônio Camilo ou de suas empresas. Já os advogados de Roberta Luchsinger alegam que ela tem sido vítima de uma campanha difamatória e misógina, e pleiteiam o arquivamento das investigações contra ela diante da inexistência de conduta ilícita.

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