Justiça

Estados Unidos aplicam sanções financeiras a brasileiros e empresas suspeitas de vínculo com organizações criminosas

02 de Julho de 2026 às 06:12

Os Estados Unidos sancionaram Victor Henrique de Oliveira Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e quatro empresas por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. A medida bloqueia bens em território americano após a estimativa de movimentação de US$ 30 milhões via criptomoedas. O Ministério da Justiça monitora a situação devido a possíveis impactos em instituições financeiras

O Ministério da Justiça monitora com preocupação as sanções financeiras aplicadas pelos Estados Unidos a cidadãos e empresas brasileiras sob suspeita de vínculo com organizações criminosas. A medida, que ocorre após o governo americano classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, gera alertas no governo brasileiro sobre possíveis efeitos secundários em instituições financeiras e terceiros.

As sanções recaíram sobre Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda, Pixwave Solucoes De Pagamentos Ltda, Wave Construcoes Inteligentes Ltda e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. De acordo com as regras do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), todos os bens dos sancionados em território americano estão bloqueados, assim como qualquer empresa cujos sancionados detenham 50% ou mais de participação, direta ou indiretamente.

O governo dos Estados Unidos sustenta que Shimada chefiava, em São Paulo, uma rede de lavagem de dinheiro operando com membros do PCC na Flórida. A estimativa americana é que o grupo tenha movimentado mais de US$ 30 milhões de origem ilícita, utilizando criptomoedas para transferir recursos do tráfico internacional de drogas. Stella, parente e secretária de Shimada, é apontada como intermediária na coleta de valores e no suporte logístico das operações, embora não possua antecedentes criminais nem responda a processos.

No Brasil, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, nega que Shimada e Stella tenham ligação com o PCC. No entanto, relatórios da Polícia Civil de São Paulo indicam que Shimada está inserido em um fluxo financeiro que conecta sua empresa à Wave Intermediações e à UJ Football Talent. Esta última foi mencionada em delação premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach como ligada a Danilo Lima de Oliveira, o "Tripa", integrante da facção. O relatório aponta ainda que Gritzbach aparece em análises financeiras da Wave, que possuía movimentação intensa com a Victory Trading.

Victor Shimada possui um histórico jurídico recente: foi preso preventivamente em dezembro de 2024 em investigações de lavagem de dinheiro no caso Corinthians. Após breve período em prisão domiciliar em janeiro de 2025, obteve liberdade mediante fiança. Atualmente, ele cumpre condenação de cinco anos de reclusão em regime semiaberto, proferida pela 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo, mas responde em liberdade, sem uso de tornozeleira e com proibição de deixar o país.

A secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, defende a ampliação da cooperação entre Brasil e Estados Unidos, ressaltando que o intercâmbio de dados brasileiro foi fundamental para as apurações americanas. Como alerta para os riscos dessas sanções, Loula citou o precedente do México, onde três instituições financeiras — CIBanco, Intercam Banco e a corretora Vector Casa de Bolsa — tiveram o acesso ao sistema financeiro dos EUA restringido em junho, após acusações de facilitar a lavagem de dinheiro do tráfico.

Com informações de G1

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