Justiça

Estados Unidos classificam o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas

29 de Maio de 2026 às 15:10

Os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida altera o fluxo de informações para a área de defesa nacional norte-americana, envolvendo a CIA, o FBI e as Forças Armadas

A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, anunciada nesta quinta-feira (28), já estava delineada desde o ano passado. A análise é do promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do MP-SP, que relatou ter ciência da medida após conversas com agentes do FBI no final do ano anterior e reuniões com assessores do governo americano em 2025.

Para Gakiya, que combate o PCC há mais de duas décadas, a medida possui caráter geopolítico e não visa efetivamente o combate ao crime organizado. Ele argumenta que a estratégia norte-americana não surtiu efeito na redução do poder de cartéis em países como Colômbia, México e El Salvador. O promotor defende que as facções brasileiras operam como máfias, com objetivos estritamente econômicos, distanciando-se de motivações ideológicas ou políticas que caracterizam o terrorismo.

A decisão ocorre dois dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que teria se manifestado favoravelmente à classificação.

No campo operacional, a mudança de status altera a natureza do fluxo de informações. Ao serem tipificados como terroristas, os dados passam a ser tratados como questão de defesa nacional dos Estados Unidos, envolvendo a atuação da CIA, do FBI e das Forças Armadas. Esse cenário, segundo Gakiya, compromete a soberania brasileira e dificulta o compartilhamento de evidências para investigações, já que as informações tornam-se confidenciais ou secretas.

O promotor ressalta ainda a ausência de uma legislação antimáfia específica no Brasil, ferramenta que ele defende como necessária para tratar grupos com a estrutura do PCC e do CV de forma diferenciada.

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