Justiça

Estados Unidos impõem sanções a brasileiros e empresas por vínculos com o PCC

01 de Julho de 2026 às 15:05

O Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções econômicas a dois brasileiros, três empresas do Brasil e uma companhia portuguesa por vínculos com o PCC. A medida visa combater a lavagem de mais de US$ 30 milhões em criptomoedas e recursos de atividades ilícitas

Estados Unidos impõem sanções a brasileiros e empresas por vínculos com o PCC
REUTERS/Jonathan Ernst

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos formalizou, nesta quarta-feira (1º), sanções econômicas contra dois cidadãos brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia portuguesa, sob a acusação de manterem vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida integra uma estratégia do governo Trump para combater a organização, classificada por Washington como a maior rede criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e uma ameaça direta à segurança nacional norte-americana.

As sanções recaem sobre Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. De acordo com as autoridades dos EUA, esse grupo compõe uma rede internacional de lavagem de dinheiro operada pelo PCC, alvo de investigações na Flórida, onde seis pessoas ligadas à mesma estrutura foram detidas em janeiro.

Victor Shimada é apontado como peça central na conexão entre traficantes internacionais e membros da facção na Flórida. A acusação detalha que ele teria lavado mais de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 156 milhões) provenientes de atividades ilícitas em diversas cidades dos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para remeter os valores ao Brasil. O governo americano também indica que a Victory Trading, sociedade de Shimada, foi usada para lavar recursos desviados de um clube de futebol brasileiro. No Brasil, Shimada já havia sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, em julho de 2025, por lavagem de dinheiro relacionada ao caso da VaideBet.

Stella Stefanie, parente de Shimada, é descrita como sua secretária e intermediária na coleta de volumes expressivos de dinheiro, desempenhando funções logísticas fundamentais para a rede de lavagem. A empresa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, sediada em Portugal e também vinculada a Shimada, foi incluída na lista de sanções.

A ofensiva financeira ocorre após o Departamento de Estado dos EUA ter classificado, em junho, o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, decisão que ignora solicitações do governo federal brasileiro e permite a aplicação de medidas unilaterais rigorosas, incluindo a sanção de entes privados e a possibilidade de intervenção em território nacional. Gene Lange, subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira, reiterou que a administração Trump enfrenta a expansão da geração de receitas ilegais do PCC dentro do sistema financeiro dos Estados Unidos.

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