Justiça

Estados Unidos impõem sanções econômicas a brasileiros e empresas por vínculos com o PCC

02 de Julho de 2026 às 12:02

O Tesouro dos Estados Unidos sancionou dois brasileiros, três empresas no Brasil e uma companhia portuguesa por vínculos com o PCC. A medida, que bloqueia bens em território norte-americano, ocorre após a classificação da facção como organização terrorista internacional. As punições envolvem a rede de lavagem de capitais investigada na Flórida

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções econômicas a dois cidadãos brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia portuguesa, sob a acusação de vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida, formalizada nesta quarta-feira (1º), marca a primeira rodada de punições financeiras do governo de Donald Trump após a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais, ocorrida em junho.

Entre os alvos estão Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. As empresas sancionadas incluem a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, a Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, a Wave Construções Inteligentes Ltda e a Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, de Portugal. As sanções resultam no bloqueio de bens localizados em território norte-americano.

O governo dos Estados Unidos descreve o PCC como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e uma ameaça à sua segurança nacional, alegando que a facção utiliza o sistema financeiro dos EUA para lavagem de dinheiro. Segundo as autoridades americanas, Victor, Stella e as empresas citadas fariam parte de uma rede de lavagem de capitais investigada na Flórida, estado onde seis pessoas foram presas em janeiro por integrar a mesma estrutura.

Victor Shimada é apontado como peça central entre traficantes internacionais e membros do PCC na Flórida. Ele é acusado de lavar mais de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 156 milhões) provenientes de crimes nos EUA, utilizando criptomoedas para remeter os valores ao Brasil. Além disso, Shimada é sócio da Victory Trading — utilizada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro — e da Avenidas Flutuantes. No Brasil, ele foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo em julho de 2025 por lavagem de dinheiro ligada ao caso VaideBet. Stella, parente de Shimada, teria atuado como secretária e intermediária na coleta de quantias elevadas, provendo suporte logístico às operações.

O subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, destacou a crescente geração de receitas ilícitas do PCC dentro dos Estados Unidos.

No plano diplomático, o governo brasileiro manifestou que a eficácia das sanções teria sido maior se houvesse cooperação técnica prévia, o que permitiria a adoção de medidas internas, como o bloqueio de contas. A gestão brasileira queixa-se de não ter sido consultada antes das punições contra o casal e as empresas.

Houve um distanciamento na colaboração entre os órgãos de combate ao crime organizado de ambos os países, iniciado com mudanças de comando nos EUA, especialmente no Departamento de Justiça, com a ascensão de perfis alinhados à ideologia do secretário de Estado Marco Rubio. Esse processo de "esfriamento" ocorreu antes da decisão de classificar as facções brasileiras como terroristas, medida anunciada pelo Departamento de Estado no fim de maio e vigente desde junho, contrariando pedidos do governo federal brasileiro. Tal determinação viabilizou ações unilaterais dos EUA, incluindo sanções a cidadãos e a possibilidade de intervenção direta no território nacional.

Diante do cenário, o governo brasileiro busca convencer a equipe de Donald Trump sobre a necessidade de manter a colaboração técnica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou a proposta de intensificar a cooperação em encontro com Trump, mas ainda aguarda resposta. Embora a operação desta quarta-feira não tenha gerado impactos imediatos expressivos no Brasil, há preocupação com efeitos secundários, como a possível punição de instituições bancárias que mantenham relações financeiras com os sancionados.

Com informações de G1

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