Justiça

Ex-chef de Daniel Vorcaro relata à Polícia Federal ter sofrido intimidações após ser demitido

17 de Junho de 2026 às 06:06

Um ex-chefe de cozinha de Daniel Vorcaro relatou à Polícia Federal ter sido intimidado por um grupo de homens após sua demissão em Angra dos Reis. Documentos do STF indicam que o proprietário do Banco Master também financiou viagens de Ciro Nogueira e diárias de hotel para Hugo Motta

Ex-chef de Daniel Vorcaro relata à Polícia Federal ter sofrido intimidações após ser demitido
Banco Master

Um ex-chefe de cozinha que atuou na residência de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em Angra dos Reis (RJ), relatou à Polícia Federal ter sofrido intimidações após o desligamento de seu posto de trabalho. De acordo com documentos liberados nesta terça-feira (16) por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o profissional foi abordado em seu novo emprego, um hotel na mesma cidade, dois meses depois de ter sido demitido.

Na ocasião, um grupo de homens, incluindo Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de "Sicário", questionou o cozinheiro sobre a existência de fotos ou vídeos do período em que trabalhou para o banqueiro. O ex-funcionário afirmou ter negado a posse de qualquer registro de Vorcaro ou de sua então esposa, Fabíola de Almeida Macedo Vorcaro. Durante a abordagem, o interlocutor declarou que Daniel havia ordenado a coleta de dados do profissional e que não gostaria de precisar intervir novamente para atrapalhá-lo. O depoente descreveu a interação como uma ameaça, manifestando preocupação por residir com a família nas proximidades.

O vínculo empregatício na casa do banqueiro ocorreu entre setembro de 2021 e março de 2024, com a comunicação entre patrão e empregado intermediada por um mordomo. Embora o uso de celulares não fosse proibido, os funcionários eram impedidos de realizar registros. O cozinheiro mencionou que outro colaborador, o ex-comandante de uma das embarcações de Vorcaro, também teria sido alvo de ameaças após manifestar insatisfação com as condições laborais e afirmar possuir diários de bordo e filmagens.

As investigações da Polícia Federal indicam que Vorcaro mantinha vínculos com um grupo denominado “A Turma”, especializado em espionagem e intimidação de adversários, embora os documentos não comprovem que os homens que abordaram o chef fizessem parte dessa organização.

Paralelamente, as apurações revelam que o banqueiro, atualmente preso em Brasília (DF), financiou quase R$ 500 mil em viagens do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para destinos como Nova York, Paris e Courchevel. Vorcaro também custeou diárias em hotel de luxo em Lisboa para o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). A Polícia Federal aponta que tais vantagens financeiras eram retribuições ao parlamentar por atuar no Senado em defesa dos interesses do ex-banqueiro.

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