Justiça

Ex-presidente da Alerj recebeu quase R$ 4 milhões em espécie de bicheiro, revela Polícia Federal

02 de Julho de 2026 às 18:02

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, recebeu quase R$ 4 milhões em espécie do bicheiro Adilsinho, segundo planilhas da Polícia Federal. O ministro Alexandre de Moraes determinou a transferência de Bacellar para um presídio federal e a apreensão de R$ 22 milhões em bens. A ação integra a 5ª fase da Operação Unha e Carne

Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), recebeu quase R$ 4 milhões em pagamentos provenientes do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. As transações, realizadas integralmente em espécie, estão registradas em planilhas do grupo criminoso sob o codinome "Barba". Os repasses ocorreram em três etapas: R$ 2 milhões em julho, R$ 925 mil em agosto e R$ 1 milhão em setembro.

A investigação revelou que Adilsinho classificava políticos corruptos como "clientes" em seus registros, detalhando tanto transferências bancárias quanto depósitos em dinheiro vivo. Além de Bacellar, o nome do governador Cláudio Castro (PL) também consta na lista do contraventor.

Essas evidências fazem parte de um conjunto de documentos apreendidos pela Polícia Federal em novembro de 2022, durante a Operação Smoke Free. Na ocasião, agentes localizaram uma mala de couro na cabeceira da cama de Adilsinho contendo listas que identificam ao menos 25 políticos.

Nesta quinta-feira (2), a PF deflagrou a 5ª fase da Operação Unha e Carne, resultando na prisão do pastor Márcio Poncio. A ação também incluiu mandados contra Adilsinho e Rodrigo Bacellar. Como ambos já estavam presos, o ex-presidente da Alerj será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu para um presídio federal. Adilsinho permanece encarcerado desde fevereiro e é apontado como líder da "Máfia do Cigarro" no Rio de Janeiro, organização que controlava a venda de maços de cigarro em pelo menos 45 dos 92 municípios fluminenses em 2024.

As medidas judiciais foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu três mandados de prisão, 14 de busca e apreensão — incluindo o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho de Sérgio Cabral —, além do sequestro de bens e valores que somam R$ 22 milhões. A defesa do bicheiro nega as acusações.

Com informações de G1

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