Flávio Dino dá prazo de 48 horas para a Câmara explicar viagens de Mário Frias
O ministro Flávio Dino, do STF, deu 48 horas para a Câmara dos Deputados esclarecer as viagens do deputado Mário Frias ao Bahrein e aos Estados Unidos. A medida ocorre após tentativas frustradas de notificar o parlamentar, que é investigado por possível desvio de R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu um prazo de 48 horas para que a Câmara dos Deputados preste esclarecimentos sobre as viagens do deputado Mário Frias (PL-SP) ao Bahrein e aos Estados Unidos. A determinação, assinada nesta quarta-feira (20), ocorre após cinco tentativas frustradas de um oficial de Justiça da Corte em notificar o parlamentar.
A dificuldade na localização de Frias ficou evidente quando, na última quarta-feira (13), a secretaria de seu gabinete informou que ele estaria em missão internacional, sem data de retorno. Posteriormente, na segunda-feira (18), o servidor do STF foi ao endereço registrado do deputado em Brasília, onde foi informado pelo porteiro que o parlamentar não reside no local há dois anos.
Em declaração ao SBT News, Mário Frias afirmou ter visitado o Bahrein na semana anterior para propor investimentos no Brasil e estar atualmente nos Estados Unidos, com o objetivo de prospectar investimentos voltados à segurança pública.
O parlamentar é alvo de uma apuração preliminar no STF, iniciada após representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), sobre o possível desvio de finalidade no repasse de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil. A entidade é ligada à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, da qual Frias é apontado como produtor-executivo.
A produção da obra tornou-se pública após o site The Intercept divulgar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar as gravações. O senador negou a existência de vantagens indevidas, alegando que a conversa, ocorrida em novembro do ano passado, tratava de recursos privados.
Mário Frias defende a legalidade das emendas destinadas ao instituto, fundamentando sua posição em um parecer da Advocacia da Câmara que não identificou vícios formais ou inconsistências no processo.