Justiça

Jaques Wagner afirma que dólares apreendidos pela Polícia Federal são provenientes de diárias do Senado

18 de Junho de 2026 às 18:04

O senador Jaques Wagner afirmou que os dólares apreendidos pela Polícia Federal são diárias de viagens internacionais pagas pelo Senado. A PF investiga se o parlamentar recebeu R$ 3,5 milhões e um imóvel em Salvador por influência política. Wagner negou irregularidades e mantém a pré-candidatura à reeleição

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, justificou que os dólares apreendidos pela Polícia Federal durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero são provenientes de diárias pagas pela própria Casa para viagens internacionais. De acordo com o parlamentar, os valores possuíam origem declarada e estavam guardados em envelopes com o timbre do Senado. Registros do Portal da Transparência indicam que, entre 2019 e 2026, Wagner realizou 27 missões ao exterior, recebendo R$ 338,7 mil (US$ 66.830,07) em diárias.

As investigações da PF apuram se o senador teria recebido vantagens indevidas, incluindo R$ 3,5 milhões e um imóvel em Salvador, em troca de influência política no Congresso. Sobre a residência na capital baiana, Wagner explicou que havia acordado com o investidor Augusto Lima, descrito como seu amigo, que este adquirisse o apartamento — ainda em construção no bairro do Horto — para que o senador o recomprasse posteriormente para presentear a filha. O parlamentar assegurou que não houve transferência de patrimônio para seu nome.

O senador negou qualquer relação com Daniel Vorcaro ou atuação em favor do Banco Master e do CredCesta. Em nota oficial, sua assessoria reforçou que Wagner não é réu, não foi denunciado nem acusado em processos ligados aos fatos investigados, colocando-o à disposição da Justiça.

Após a operação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para o senador para manifestar solidariedade, afirmando que as ações seriam tentativas de desestabilização. Jaques Wagner declarou que pretende manter sua pré-candidatura à reeleição ao Senado e permanecerá no cargo de vice-líder do governo, a menos que seja retirado da função pelo presidente.

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