Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após ser alvo de operação da Polícia Federal
O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do governo no Senado nesta quarta-feira (24) após ser alvo da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal investiga fraudes financeiras no Banco Master e repasses de R$ 3,5 milhões a familiares do parlamentar
O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do governo no Senado após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero. A decisão foi formalizada nesta quarta-feira (24), depois de uma reunião de aproximadamente duas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada. Em comunicado nas redes sociais, o parlamentar justificou o afastamento para focar na comprovação de sua inocência e nas campanhas de reeleição do presidente, do governador Jerônimo Rodrigues e de si mesmo, juntamente com Rui Costa, para o Senado.
A Polícia Federal investiga um esquema de fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Banco Master. Wagner é apontado como o beneficiário central de vantagens econômicas, sendo o agente público para quem teriam sido estruturados pagamentos e aquisições patrimoniais. A investigação apura se o senador teria recebido benefícios em troca de apoio a medidas no Congresso que favoreceriam a instituição, como a "Emenda Master".
Entre as evidências analisadas estão repasses de R$ 3,5 milhões em nome de familiares do senador e a compra de um apartamento de luxo em Salvador. A PF também destaca a proximidade de Wagner com o banqueiro Augusto Lima, proprietário do Banco Pleno — instituição liquidada pelo Banco Central — e ex-sócio de Daniel Vorcaro. Na última quinta-feira (18), endereços vinculados ao parlamentar em Brasília e Salvador foram alvo de mandados de busca e apreensão. O senador nega qualquer irregularidade.
A operação também mira outros parlamentares, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal detalhou que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, oferecia tratamento privilegiado a Nogueira, incluindo o custeio de acomodações de alto padrão em hotéis de luxo e o pagamento de mais de R$ 400 mil em viagens internacionais.