Justiça de Paris processa denúncias de violência sexual contra crianças em cem escolas da capital
A Justiça de Paris processa denúncias de violência sexual contra crianças em cerca de cem escolas. David G., de 35 anos, é julgado por agressões a oito crianças e três colegas, enquanto dois monitores de uma creche, incluindo um brasileiro, foram presos preventivamente após 30 denúncias
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O sistema judiciário de Paris processa uma série de denúncias de violência sexual contra crianças em atividades extracurriculares, abrangendo aproximadamente cem escolas. Nesta terça-feira (26), David G., de 35 anos, monitor de pré-escola que cumpre prisão preventiva há quase um ano, enfrenta julgamento por agressões sexuais contra ao menos oito crianças. O réu também responde por assédio e agressão sexual contra três colegas de trabalho, podendo ser condenado a dez anos de reclusão. A audiência do acusado havia sido adiada de novembro após a saída de seu advogado do caso.
Recentemente, na sexta-feira (22), a Justiça determinou a prisão preventiva de dois monitores da creche pública Saint-Dominique, localizada no 7º distrito de Paris. Entre os indiciados por abuso sexual estão um camaronês, de 44 anos, e um brasileiro, C., de 51 anos. As investigações foram impulsionadas por cerca de 30 denúncias feitas por pais entre o final do ano passado e fevereiro deste ano, envolvendo vítimas com idades entre 2 e 4 anos.
O cenário nas pré-escolas da capital francesa é apontado como um reflexo de falhas estruturais nacionais. A precariedade nas condições de trabalho, a ausência de supervisão eficiente, o recrutamento sem rigor e a carência de formação para os monitores são fatores que contribuem para a magnitude dos casos.
Para a apuração desses crimes, a França adota protocolos rígidos de escuta das vítimas. As entrevistas ocorrem em espaços adequados, com linguagem adaptada à idade e perguntas abertas. Vincent Raffray, da Associação Francesa de Magistrados de Instrução (Afmi), detalha que os depoimentos são gravados para evitar a revitimização e o agravamento do trauma, embora a criança possa ser ouvida novamente sobre pontos específicos em processos complexos onde os fatos sejam contestados.
Apesar da centralidade do relato infantil, a condenação depende de elementos objetivos que corroborem a versão apresentada. O processo envolve perícias psiquiátricas para analisar a coerência do discurso, cabendo ao juiz a decisão final sobre a veracidade dos fatos com base no conjunto probatório.