Justiça

Líder do PCC com condenação de 126 anos é preso na Bolívia após seis anos foragido

26 de Maio de 2026 às 18:05

Gerson Palermo, líder do PCC com condenações de quase 126 anos, foi preso em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, após seis anos foragido. A captura ocorreu em operação conjunta entre a Polícia Federal e a polícia boliviana. O detido será expulso do país e entregue às autoridades brasileiras

Gerson Palermo, apontado como um dos principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi localizado e preso em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, após seis anos foragido da Justiça brasileira. A captura resultou de uma operação conjunta entre a Polícia Federal e a polícia boliviana especializada no combate ao narcotráfico, sendo impulsionada por repercussões recentes sobre as circunstâncias de sua soltura no Brasil. De acordo com David Gómez, comandante da Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia, o criminoso será expulso do país e entregue às autoridades brasileiras.

Palermo soma condenações que totalizam quase 126 anos de prisão. O histórico criminal do traficante inclui a participação no sequestro de um Boeing 737 da Vasp, em agosto de 2000. Na ocasião, a aeronave partiu de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba, mas foi desviada para Porecatu, no Paraná, onde a quadrilha roubou nove malotes do Banco do Brasil, totalizando cerca de R$ 5,5 milhões. Por esse crime, ele foi condenado a mais de 66 anos de reclusão. Posteriormente, em 2017, a Polícia Federal deflagrou a Operação All In, que revelou o comando de Palermo sobre um esquema internacional de tráfico de cocaína. A droga partia da Bolívia em aviões rumo a Corumbá e era distribuída por caminhões para outros estados, resultando na apreensão de 810 quilos da substância e em uma nova condenação de 59 anos por tráfico e associação.

A fuga de Palermo ocorreu em abril de 2020, logo após ele obter a prisão domiciliar enquanto estava no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande. A liberação foi concedida pelo então desembargador Divoncir Schreiner Maran durante um plantão judicial em Mato Grosso do Sul. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) constatou que o habeas corpus, composto por mais de 200 páginas, foi analisado em apenas 40 minutos. Após deixar a unidade prisional, o traficante rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu.

O processo administrativo instaurado pelo CNJ revelou que assessores do gabinete do magistrado descreveram a decisão como uma “gambiarra” jurídica. O órgão concluiu que houve violação dos deveres de independência, imparcialidade e prudência da magistratura, o que levou à punição de Divoncir Maran com aposentadoria compulsória em fevereiro deste ano.

A prisão de Palermo reforça a análise de investigadores brasileiros sobre a utilização de Santa Cruz de La Sierra como base estratégica do PCC no exterior. A região é utilizada por integrantes da facção para manter operações de tráfico internacional, aproveitando-se de falhas na fiscalização boliviana. Outros nomes ligados à organização, como Sérgio Luiz de Freitas Filho, Fuminho e André do Rap, também passaram pela cidade, onde líderes da facção costumam residir em condomínios de luxo e mansões.

Com informações de G1

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