Justiça

MPF denuncia dois policiais rodoviários federais por homicídio qualificado no Rio de Janeiro

14 de Julho de 2026 às 12:21

O Ministério Público Federal denunciou dois policiais rodoviários federais por homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra dois adolescentes em outubro de 2022, no Rio de Janeiro. A acusação baseia-se em depoimentos de agentes e perícia balística, apontando que a vítima de 14 anos foi atingida na cabeça enquanto estava desarmada. A operação ocorreu sem ordem formal de missão

MPF denuncia dois policiais rodoviários federais por homicídio qualificado no Rio de Janeiro
© PRF/ DIVULGAÇÃO

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou dois policiais rodoviários federais por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado. A acusação refere-se a uma operação realizada em outubro de 2022, no Complexo do Chapadão, zona norte do Rio de Janeiro, que resultou na morte de Lorenzo Dias Palhinhas, de 14 anos.

Dinâmica do crime

A denúncia aponta que Lorenzo e outro adolescente, ambos entregadores de uma lanchonete local, foram abordados, revistados e liberados por policiais enquanto retornavam do trabalho em uma motocicleta. Após a liberação, os jovens seguiram por uma passagem estreita, de costas para os agentes e sem possibilidade de fuga ou proteção.

O MPF sustenta que não houve nova ordem de parada nem confronto armado. Lorenzo foi atingido por um tiro na parte posterior da cabeça, enquanto o segundo adolescente conseguiu escapar. De acordo com a peça acusatória, os jovens estavam desarmados no momento dos disparos.

Provas e irregularidades da operação

A materialidade do crime é sustentada por dois pontos principais:
* Testemunhos: Policiais rodoviários que participaram da ação confirmaram que os dois denunciados efetuaram os disparos.
* Perícia: O exame de balística comprovou que o fragmento encontrado na cena do crime é compatível com as armas dos acusados.

A operação, que mobilizou 20 agentes, ocorreu horas após o assassinato do policial rodoviário federal Bruno Vanzan Nunes, vítima de latrocínio. No entanto, o procurador da República Eduardo Benones afirmou que a incursão ao Chapadão ocorreu sem ordem formal de missão, relatório operacional ou briefing, extrapolando as atribuições constitucionais da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Posicionamento da PRF

A PRF informou que mantém uma investigação interna para apurar a conduta e a responsabilidade dos agentes envolvidos na operação conjunta. A instituição solicitou cópia do inquérito do MPF e aguarda o compartilhamento dos dados para prosseguir com as apurações administrativas.

Com informações de Agência Brasil

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