Operação combate esquema de corrupção que movimentou R$ 86,6 bilhões na alfândega do Porto do Rio
PF, Receita Federal e MPF iniciaram a Operação Mare Liberum nesta terça-feira (28) contra a corrupção na alfândega do Porto do Rio. Entre julho de 2021 e março de 2026, a atividade irregular movimentou R$ 86,6 bilhões em mercadorias. A Justiça determinou o afastamento de 17 auditores e oito analistas, além de 45 mandados de busca no Rio de Janeiro e em Vitória
A Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público Federal deflagraram, nesta terça-feira (28), a Operação Mare Liberum para desarticular um esquema de corrupção na alfândega do Porto do Rio. A ação, considerada a maior da história da Corregedoria da Receita Federal, mobiliza mais de 200 policiais federais e 100 servidores do fisco.
As investigações, iniciadas em 2022 por meio de denúncias e controles internos, revelaram a existência de um grupo estruturado para liberar mercadorias de forma irregular. O esquema consistia em declarar produtos diferentes dos que eram efetivamente importados para evitar o pagamento de tributos. Entre julho de 2021 e março de 2026, a movimentação de mercadorias sob essa dinâmica somou R$ 86,6 bilhões, com o pagamento de dezenas de milhões de reais em propinas.
Para viabilizar a operação, foram expedidos 45 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e de Vitória, no Espírito Santo. A Justiça determinou o afastamento de 17 auditores fiscais e oito analistas tributários, além de impor bloqueios de bens e restrições ao exercício profissional dos envolvidos.
Os investigados podem responder por lavagem de dinheiro, contrabando, descaminho, associação criminosa e corrupção. A Receita Federal informou que novas medidas serão tomadas para responsabilizar quem efetuou os pagamentos ilícitos. Paralelamente, o órgão implementa ações de apoio ao Porto do Rio de Janeiro para garantir a fluidez do comércio e revisar as operações irregulares ocorridas no período apurado.