PF aponta irregularidades em investimentos do RioPrevidência em instituições ligadas ao Banco Master
A Polícia Federal informou ao STF sobre irregularidades em investimentos do RioPrevidência em fundos ligados ao Banco Master, totalizando quase R$ 3,7 bilhões. A investigação aponta captação fraudulenta de recursos e cooperação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro. Castro foi alvo de busca e apreensão na última terça-feira
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A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma representação que aponta irregularidades em investimentos do RioPrevidência, fundo de previdência dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro, em instituições ligadas ao Banco Master. A investigação destaca que o fundo estadual foi o único cotista de dois fundos específicos: o Arena Fundo de Investimento em Renda Fixa Título Público, que recebeu R$ 1,371 bilhão, e o Horizonte I Fundo de Investimento Renda Fixa Longo Prazo, com aporte de R$ 10 milhões.
A estrutura dessas aplicações é considerada suspeita pela PF, pois os recursos foram destinados a fundos recém-criados ou com trajetórias curtas. O órgão investiga a captação de valores de regimes próprios de previdência social (RPPS), abrangendo esferas estaduais e municipais, por meio de gestões fraudulentas. Outro fundo citado é o Revolution, constituído em 9 de maio de 2025, no qual o RioPrevidência foi o primeiro cotista, injetando R$ 50 milhões em 23 de maio. O montante total investido nesse fundo chegou a R$ 481 milhões, com a presença de apenas outros dois cotistas.
O documento da PF sustenta que a criação desses fundos visava a captação de recursos previdenciários para escoamento de capital em desacordo com a legislação vigente. Nesse cenário, o volume de quase R$ 3,7 bilhões captados do RioPrevidência teria exigido a manutenção de uma cooperação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro.
A relação entre Vorcaro e Castro é evidenciada por mensagens que registram encontros frequentes no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Nova York. Na capital americana, a PF identificou gastos do banqueiro com um jantar de R$ 60 mil e uma degustação de uísque que superou R$ 5 milhões. As conversas analisadas sugerem que o Banco Master enfrentava dificuldades de liquidez e que os aportes do fundo fluminense eram vistos internamente como essenciais para a captação de recursos da instituição.
Como desdobramento dessas apurações, Cláudio Castro foi alvo de busca e apreensão na última terça-feira (26), em operação que apura a natureza dos investimentos realizados pelo fundo de previdência no banco.