Justiça

PF bloqueia R$ 10,4 bilhões em bens de organização ligada ao PCC e lavagem de dinheiro

03 de Julho de 2026 às 15:06

A Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange para desarticular lavagem de dinheiro do tráfico internacional ligada ao PCC. A ação resultou em sete prisões, 13 buscas e apreensões e o sequestro de R$ 10,4 bilhões em bens e criptoativos. O empresário Victor Shimada, acusado de lavar US$ 30 milhões, é considerado foragido

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (3), a Operação Exchange para desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A ação foi antecipada devido a sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, na última quarta-feira (1º), a pessoas e empresas brasileiras. De acordo com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o anúncio das medidas norte-americanas alterou o cronograma da operação, impactando o desfecho das diligências.

O foco da investigação é uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os alvos, o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, conhecido pelo apelido "o Japa", é apontado como um elo fundamental entre traficantes internacionais e membros do PCC na Flórida. As autoridades dos EUA acusam Shimada de lavar mais de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 156 milhões) por meio de criptomoedas para transferir recursos ilícitos de diversas cidades americanas para o Brasil, além de envolvimento em outros crimes financeiros.

Durante a operação, a PF prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também alvo de sanções dos EUA. Parente e secretária de Shimada, Stella utilizava o codinome "Lara Croft" e atuava na logística e coleta de grandes quantias em dinheiro. Victor Shimada, no entanto, não foi localizado e é considerado foragido da Justiça.

A Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados, totalizando R$ 10,4 bilhões. As investigações revelaram um sistema estruturado de movimentação financeira que incluía transferências de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas.

No total, foram expedidos 11 mandados de prisão temporária, dos quais sete foram cumpridos. A operação também executou 13 mandados de busca e apreensão em endereços na capital paulista, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Os envolvidos podem responder por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

As sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos implicam o bloqueio de bens dos alvos em território norte-americano, estendendo-se a qualquer empresa da qual as pessoas punidas detenham 50% ou mais de participação, direta ou indiretamente. O cenário reforça a defesa de Andrei Rodrigues por uma maior integração entre as forças de segurança do Brasil e dos EUA, especialmente após a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo americano.

A defesa de Victor Shimada, representada pelo advogado Yuri Cruz, afirmou que ainda não teve acesso às decisões judiciais ou aos elementos da investigação para realizar uma análise técnica. O advogado informou que Shimada é alvo de prisão temporária e que a possibilidade de entrega espontânea à polícia está sendo avaliada.

Com informações de G1

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