Justiça

PF cumpre mandados contra senador Jaques Wagner em investigação sobre fraudes no Banco Master

18 de Junho de 2026 às 12:20

A Polícia Federal cumpre 18 mandados de busca e apreensão, incluindo um endereço do senador Jaques Wagner, na 9ª fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura se o parlamentar recebeu vantagens indevidas, como R$ 3,5 milhões e um imóvel, para atuar no Congresso em favor do Banco Master. A ação, autorizada pelo STF, investiga fraudes e corrupção com prejuízos estimados em R$ 12 bilhões

PF cumpre mandados contra senador Jaques Wagner em investigação sobre fraudes no Banco Master
Reprodução/Google Maps

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, com a execução de 18 mandados de busca e apreensão, incluindo um endereço do senador Jaques Wagner em Salvador. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foca na relação de proximidade entre o parlamentar e o ex-banqueiro Augusto Lima, proprietário do Banco Pleno e aliado de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master.

A investigação apura um esquema de fraudes e corrupção ligado ao Banco Master, com prejuízos estimados em R$ 12 bilhões e que já resultou na liquidação extrajudicial do Banco Pleno. No centro desta fase, a PF investiga se o senador teria recebido vantagens indevidas para atuar politicamente no Congresso Nacional em favor do grupo financeiro. Entre as suspeitas estão a articulação para a aprovação de uma proposta que ampliaria o limite do crédito consignado — setor onde o grupo de Vorcaro e Lima opera via Credcesta — e a atuação em prol da "Emenda Master" (Emenda nº 11 à PEC 65/2023). Esta última, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), visava alterar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para viabilizar o modelo de negócios do Banco Master, com texto que teria sido redigido pela própria assessoria da instituição.

As evidências colhidas, que incluem áudios, mensagens, contratos e planilhas extraídas de celulares, apontam que as contrapartidas ao senador teriam ocorrido de forma indireta. A PF identificou repasses de R$ 3,5 milhões da empresa PKL One Participações S.A., ligada ao grupo Master/Credcesta, para a BN Financeira Ltda., empresa de capital reduzido vinculada à família de Jaques Wagner. Mensagens revelam que o enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré Martins, cobrou valores de Augusto Lima, que justificou dificuldades financeiras devido ao insucesso de uma operação entre o Banco Master e o BRB.

Além dos valores em espécie, a investigação aponta a entrega de um apartamento de luxo no edifício Poeme Residence, no bairro do Horto Florestal, em Salvador, avaliado em mais de R$ 2,4 milhões. O parlamentar também teria sido beneficiado com mordomias, como o uso de aeronaves particulares e ingressos para shows em Los Angeles, no valor de R$ 63 mil, custeados pela Reag Investimentos, gestora de fundos do Banco Master.

Um dos episódios que exemplificam a proximidade entre os investigados ocorreu entre 11 e 13 de outubro de 2023, quando Augusto Lima disponibilizou uma aeronave particular para transportar o senador e seus familiares de Salvador para a Ilha da Paixão, em Candeias, propriedade do banqueiro.

A Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025, expandiu-se da apuração de títulos de investimento sem garantias para crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e corrupção. Outras autoridades, como o senador Ciro Nogueira e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, também são alvos da investigação.

A defesa de Augusto Lima afirmou que o empresário atua rigorosamente dentro da lei e das normas do sistema financeiro, alegando que as diligências eram desnecessárias, pois ele estaria à disposição das autoridades há seis meses. A assessoria do senador Jaques Wagner não respondeu aos questionamentos.

Com informações de G1

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