PF deflagra operação contra esquema de lavagem de dinheiro que causou prejuízo de R$ 52 bilhões
A Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino contra organização criminosa liderada por Ricardo Andrade Magro, do Grupo Refit, por sonegação e lavagem de dinheiro que causaram prejuízo de R$ 52 bilhões. O STF determinou a prisão preventiva de Magro, com pedido de captura via Interpol, enquanto mandados de busca foram cumpridos em Duque de Caxias e na residência de Cláudio Castro
A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (15), a Operação Sem Refino para desarticular uma organização criminosa liderada pelo empresário Ricardo Andrade Magro, controlador do Grupo Refit. A investigação aponta que o grupo estruturou um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e sonegação fiscal, resultando em um prejuízo superior a R$ 52 bilhões aos cofres públicos, com impacto principal na arrecadação de ICMS nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
O esquema envolvia a utilização de holdings, fundos de investimento, empresas de fachada e offshores em paraísos fiscais, como Malta, Bahamas e o estado de Delaware, nos Estados Unidos. De acordo com a PF, os lucros eram transferidos para o exterior e retornavam ao Brasil simulando investimentos ou eram aplicados na compra de ativos e imóveis para evitar execuções judiciais. Para viabilizar a operação, a organização teria cooptado agentes públicos em órgãos como a Receita Federal, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Procuradoria do Estado e a Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro, além de membros do Judiciário, visando a obtenção de benefícios fiscais e a eliminação de concorrentes.
No âmbito da operação, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva de Ricardo Magro e solicitou a inclusão de seu nome na Difusão Vermelha da Interpol para viabilizar sua captura e extradição, já que o empresário reside em Miami desde 2016 e não retorna oficialmente ao Brasil desde 2018. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede da refinaria, em Duque de Caxias, e na residência do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que negou irregularidades e afirmou estar convicto de sua lisura.
As investigações também revelaram movimentações financeiras atípicas envolvendo Jonathas Assunção Salvador Nery Castro, que atuou como secretário-executivo da Casa Civil durante a gestão de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal identificou que a Sary Consultoria e Participações LTDA, empresa da qual Jonathas é o único sócio, funcionou como uma "empresa de passagem", sem estrutura administrativa ou folha de pagamento, servindo apenas para transferir rapidamente os valores recebidos para a conta pessoal do ex-secretário.
Entre 17 e 31 de março de 2025, a Sary Consultoria movimentou R$ 1,32 milhão. Desse montante, R$ 765.698,09 foram transferidos diretamente pela Refit. Outros repasses somaram R$ 382.849,04 da Roar Inovação, R$ 320.263,13 da Fera Lubrificantes e R$ 62.585,89 da Flagler, empresas que integram o grupo econômico de Ricardo Magro.
Formado em Direito com especialização em direito tributário, Ricardo Magro comanda a Refit desde 2008. O empresário nega as acusações de fraude fiscal, alegando que as dívidas de ICMS são fruto de perseguição institucional orquestrada por grandes companhias do setor de combustíveis, citando especificamente a Cosan e o Instituto Combustível Legal. Magro também declarou anteriormente ser alvo de ameaças do crime organizado.