PF e Receita Federal investigam origem de R$ 60 milhões investidos em filme sobre Bolsonaro
Polícia Federal e Receita Federal apuram a legalidade de R$ 60 milhões investidos por Daniel Vorcaro no filme "Dark Horse". A investigação analisa a triangulação financeira entre paraísos fiscais, o fundo Havengate e a produtora GoUp. A PF rejeitou a proposta de delação premiada do banqueiro
A Polícia Federal e a Receita Federal instauraram apurações preliminares para verificar a legalidade e o destino final de mais de R$ 60 milhões investidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro na produção do filme "Dark Horse", obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora o montante não integre as investigações do inquérito do Banco Master, a análise tornou-se necessária após a divulgação de que fundos da instituição foram utilizados na transferência dos valores, procedimento padrão dos órgãos quando há indícios de evasão fiscal expostos publicamente.
A suspeita central recai sobre o fluxo financeiro: o dinheiro teria partido de um fundo em um paraíso fiscal, passado pelo fundo Havengate — administrado no Texas pelo advogado de Eduardo Bolsonaro — e, finalmente, chegado à produtora GoUp, responsável pelas gravações. Essa triangulação pode caracterizar o uso de recursos ilegais e evasão fiscal. Paralelamente, o vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), solicitou formalmente que a PF e a Receita investiguem a movimentação desses recursos.
Apesar do cenário, dados extraídos do aparelho celular de Vorcaro não apontam, até o momento, conexão entre as negociações do filme e fraudes bancárias. O banqueiro teria a oportunidade de detalhar a origem da verba e as motivações do financiamento por meio de uma delação premiada, porém a Polícia Federal rejeitou a proposta de colaboração nesta quarta-feira (21). Com a negativa, Vorcaro não prestará depoimentos que poderiam revelar a natureza de sua relação com Flávio Bolsonaro.