Justiça

PF encontra lista de bicheiro com doação de R$ 3,2 milhões para Cláudio Castro

02 de Julho de 2026 às 18:02

A Polícia Federal deflagrou a quinta fase da Operação Unha e Carne para desarticular lavagem de dinheiro do jogo do bicho e vínculos com agentes públicos no Rio de Janeiro. A ação resultou na prisão preventiva do pastor Márcio Poncio e no sequestro de bens de até R$ 22 milhões determinado pelo STF. Agentes localizaram anotações de pagamentos e doações a políticos, incluindo R$ 3,2 milhões para a campanha de Cláudio Castro em 2022

PF encontra lista de bicheiro com doação de R$ 3,2 milhões para Cláudio Castro
Fernando Frazão/Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (2), a quinta fase da Operação Unha e Carne, com o objetivo de desarticular esquemas de lavagem de dinheiro operados pela cúpula do jogo do bicho e identificar vínculos com agentes dos poderes Executivo e Legislativo no Rio de Janeiro. A ação, derivada de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF das Favelas, busca apurar a relação entre grupos criminosos e servidores públicos.

Durante as diligências, os agentes localizaram uma lista atribuída ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. O documento detalha supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e registros contábeis ligados à lavagem de dinheiro, citando nomes de políticos fluminenses. Entre as anotações, consta uma doação de R$ 3,2 milhões para a campanha de reeleição de 2022 de Cláudio Castro. O ex-governador, que administrou o estado entre 2021 e 2026, renunciou ao cargo um dia antes de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que resultaria em sua cassação e inelegibilidade.

Embora seu nome figure na lista, Cláudio Castro não é alvo desta fase da operação. Fontes ligadas à apuração indicam que a Polícia Federal está aprofundando as investigações sobre ele e outras pessoas mencionadas nos documentos antes de tomar medidas judiciais. A defesa do ex-governador negou qualquer recebimento de valores ou prática de ilícitos, argumentando que a simples citação em anotações de terceiros não comprova irregularidades e que a prestação de contas da campanha de 2022 foi devidamente apresentada à Justiça Eleitoral.

No âmbito da operação, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. A medida baseia-se em planilhas da Operação Fumus, de 2021, que apontavam o pagamento de "mesadas" e vantagens a pelo menos 20 políticos do estado.

A fase atual resultou na prisão preventiva do empresário e pastor Márcio Poncio, detido em um flat na Barra da Tijuca por suspeita de ligação com a "Máfia do Cigarro". Esse grupo, liderado por Adilsinho, controla a comercialização de cigarros falsificados em quase metade das cidades fluminenses, causando prejuízos bilionários em sonegação fiscal. A defesa de Poncio alegou não ter tido acesso aos autos do processo.

A Justiça também expediu mandados de prisão contra Adilsinho e o ex-deputado Rodrigo Bacellar, ambos já custodiados por etapas anteriores da mesma investigação. A defesa de Adilsinho refutou a tese de que tenham sido pagos valores indevidos a políticos.

A Operação Unha e Carne já investigou, em etapas precedentes, fraudes em contratações na Secretaria Estadual de Educação, o escândalo da Ceperj e o vazamento de dados sigilosos para a facção Comando Vermelho. Tais apurações envolveram figuras como o deputado Thiago Rangel e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, evidenciando uma possível rede de proteção institucional ao crime organizado.

Com informações de G1

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