Justiça

PF identifica escrivães que usavam telefones clandestinos para mascarar comunicações em operação sobre fraudes fiscais

15 de Maio de 2026 às 15:03

A Operação Sem Refino investiga fraudes fiscais da Refit e identificou o uso de aparelhos clandestinos por escrivães da Polícia Federal para ocultar comunicações. A ação, autorizada pelo STF, revelou interações entre os agentes, o delegado Ricardo de Carvalho e o advogado Roberto Fernandes Dima. O grupo investigado inclui o empresário Ricardo Magro e o ex-governador Cláudio Castro

PF identifica escrivães que usavam telefones clandestinos para mascarar comunicações em operação sobre fraudes fiscais
Fantástico/ TV Globo

A Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (15), revelou a utilização de aparelhos telefônicos clandestinos, conhecidos como "bombinhas", para mascarar a identidade de usuários e dificultar o rastreamento de comunicações. A estratégia consistia no registro de linhas em nome de pessoas falecidas, como Anísio da Silva Antônio, morto em 2021, e Cosme Gomes da Silva, configurando o que a Polícia Federal classifica como um padrão de ocultação.

A investigação, autorizada por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), identificou que uma conta de WhatsApp com o código do Rio de Janeiro e identificada como “Márcio PF Bombinha” era operada pelos escrivães da Polícia Federal Márcio Pereira Pinto e Márcio Cordeiro Gonçalves, lotados na delegacia de Nova Iguaçu. A prova técnica do acesso foi consolidada após a PF detectar que a conexão da conta partiu de um IP da rede interna da corporação, vinculado ao login funcional de Gonçalves.

O aparelho clandestino manteve interações frequentes com o advogado Roberto Fernandes Dima, sócio de empresas do conglomerado de Ricardo Magro, com registros de mensagens e ligações datados de outubro de 2025. O dispositivo também interagiu com o delegado da Polícia Federal Ricardo de Carvalho, que disputou a vaga de deputado estadual em 2022. A conta participava de um grupo de WhatsApp denominado “15.000 voltou!”, fazendo referência ao número de urna do delegado.

Além disso, a PF apurou que o intermediário Álvaro Barcha utilizava um segundo celular para fotografar documentos e telas de outro aparelho durante tratativas consideradas sensíveis.

A operação visa apurar fraudes fiscais ligadas à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, apontada como um dos maiores devedores de impostos do Brasil. O grupo de investigados inclui o empresário Ricardo Magro, proprietário da companhia, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, aliado do senador Ciro Nogueira.

Com informações de G1

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