PF identifica servidora da Câmara como peça central em esquema de manipulação de emendas parlamentares
A Polícia Federal identificou a servidora Mariângela Fialek como responsável por manipular a destinação de emendas parlamentares para Valdemar Costa Neto. O esquema envolvia a substituição do nome do ex-deputado por parlamentares ativos em documentos oficiais. O STF determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões e a suspensão de 21 emendas
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A Polícia Federal identificou a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", como a peça central de um esquema para manipular a destinação de emendas parlamentares. O mecanismo, descrito no relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), servia para operacionalizar a indicação de verbas públicas por Valdemar Costa Neto que, por não possuir mandato parlamentar, estaria legalmente impedido de realizar tais indicações.
Para viabilizar o arranjo, a servidora organizava o fluxo de recursos seguindo orientações do ex-deputado, ocultando a participação dele nos documentos oficiais. A estratégia consistia em alterar as listas enviadas aos ministérios, substituindo o nome de Valdemar por deputados federais com mandato ativo.
As provas colhidas pela PF incluem a extração de dados do celular de Mariângela e a apreensão de planilhas em sua sala de trabalho, onde recursos eram explicitamente identificados como "do Valdemar" ou "do VCN". Mensagens revelam que a servidora era acionada por pessoas de confiança do ex-deputado, como o advogado Garigham Amarante. Em um dos episódios, Amarante informou a Fialek a intenção de Valdemar de destinar cerca de R$ 24 milhões para a área do Turismo, valor que a servidora passou a alocar após a solicitação. Outras trocas de mensagens de agosto de 2025 reforçam a pressão de interlocutores ligados ao ex-deputado para que fosse destinado o valor máximo possível ao setor turístico.
Mariângela Fialek atuou no gabinete do deputado Arthur Lira entre março de 2021 e meados de 2025, migrando posteriormente para a liderança do Progressistas (PP) na Casa. Em dezembro de 2025, ela ocupava um cargo de natureza especial no partido com remuneração bruta de R$ 23,7 mil.
As revelações são desdobramentos da Operação Transparência, deflagrada em dezembro para apurar irregularidades em emendas. Em razão dos fatos, o STF determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões e a suspensão do pagamento de 21 emendas. Mariângela e outros servidores respondem pelos crimes de associação criminosa e peculato-desvio.
Questionado, Valdemar Costa Neto negou ter indicado emendas, argumentando que tal atribuição cabe ao líder do partido na Câmara.