PF investiga atuação de Jaques Wagner em benefício do Banco Master na Operação Compliance Zero
A nona fase da Operação Compliance Zero investiga a atuação do senador Jaques Wagner em benefício do Banco Master, envolvendo a articulação de leis e a compra de um imóvel de R$ 2,4 milhões. A Polícia Federal apura transações de R$ 12,12 bilhões entre o Banco Master e o BRB, das quais R$ 8,8 bilhões seriam créditos fraudulentos
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A nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18), investiga a atuação do senador Jaques Wagner (PT-BA) em benefício do Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, o parlamentar teria atuado em temas legislativos estratégicos para a instituição, como a margem consignável de salários da CLT para aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC, proposta que resultou na emenda nº 30 à Medida Provisória 1.106/2022, posteriormente convertida em lei.
As investigações apontam que Wagner também teria articulado a aprovação da PEC 65/2023, relacionada ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), atuando em prol da chamada "Emenda Master", apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). O documento da Polícia Federal detalha contatos entre o chefe de gabinete do senador, Daniel Vorcaro e Guilherme Sodré, além de ligações e encontros presenciais entre Wagner e o gestor do Banco Master, Augusto Ferreira Lima. Em agosto de 2024, registros indicam uma ligação de nove minutos entre o senador e o banqueiro, seguida pelo envio do link de uma emenda.
Como contrapartida a essas ações, a PF identificou a aquisição de um apartamento no empreendimento Poème Horto, em Salvador, avaliado em R$ 2,4 milhões. Os dados da unidade 1.702 teriam sido enviados pelo próprio senador a Augusto Lima. O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), descreve Lima como o interlocutor privado central de Wagner, responsável por coordenar a entrega de vantagens, que incluíam desde o uso de jatos até a operacionalização financeira para a compra do imóvel e repasses à BN Financeira.
Em mensagens interceptadas, Augusto Lima afirmou a Jaques Wagner que o petista fazia parte do processo de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A investigação revela que Lima atuou para que o BRB adquirisse as carteiras do Master. Entre 2024 e outubro de 2025, foram transacionados R$ 30 bilhões entre as instituições, sendo que R$ 12,12 bilhões desse montante foram alvo de apuração da Compliance Zero. Desse valor, ao menos R$ 8,8 bilhões referem-se a títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação, caracterizando "crédito podre" com potencial de gerar um rombo no patrimônio do banco público. Paulo Henrique Costa, presidente do BRB à época, está preso.
Augusto Lima, sócio do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, manteve tratativas com o senador mesmo após a primeira fase da operação, por meio de videoconferências, reuniões e minutas contratuais. Em entrevista anterior, Jaques Wagner admitiu ter negociado a privatização da rede de supermercados Cesta do Povo com Augusto Lima em 2018, mas negou conhecer Vorcaro na ocasião e afirmou que sua participação no negócio encerrou-se com a venda da rede e do Cartão Cesta.
Apesar das evidências sobre a atividade parlamentar, o ministro André Mendonça negou os pedidos de busca e apreensão no gabinete e nos escritórios do mandato de Jaques Wagner, seguindo manifestação da Procuradoria-Geral da República. A decisão fundamentou-se na necessidade de rigor extremo para medidas em sedes de outros Poderes. A assessoria do senador não se pronunciou sobre a operação.