Justiça

PF investiga ex-governador Cláudio Castro por favorecimento a esquema de fraudes fiscais do Grupo Refit

15 de Maio de 2026 às 15:02

A Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino para desarticular fraudes fiscais e evasão de recursos do Grupo Refit. A ação incluiu buscas na residência do ex-governador Cláudio Castro e apreensão de R$ 500 mil com o policial civil Maxwell Moraes Fernandes. A PF solicitou a inclusão do empresário Ricardo Magro na Difusão Vermelha da Interpol

PF investiga ex-governador Cláudio Castro por favorecimento a esquema de fraudes fiscais do Grupo Refit
Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (15), a Operação Sem Refino para desarticular um esquema de fraudes fiscais envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, apontada como um dos maiores grupos devedores de impostos do Brasil. A investigação foca na utilização da estrutura societária e financeira da empresa para a evasão de recursos ao exterior, dissimulação de bens e ocultação de patrimônio.

Entre os alvos da ação está o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. De acordo com a Polícia Federal, Castro desempenhou um papel decisivo na proteção e no favorecimento dos interesses do Grupo Refit. Agentes em carros descaracterizados e com apoio armado realizaram buscas na residência do ex-governador, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. Castro acompanhou a diligência, que durou três horas e resultou na apreensão de malotes. A defesa do ex-governador declarou ter sido surpreendida pela operação e afirmou que ele permanece à disposição da Justiça para comprovar sua lisura.

A operação também atingiu o policial civil Maxwell Moraes Fernandes, em cuja residência a PF apreendeu mais de R$ 500 mil em espécie. O servidor deverá justificar a origem e a manutenção de tal montante fora do sistema bancário. Em resposta, a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que está colaborando com as investigações federais.

Outro alvo central é o empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit. Devido à gravidade dos fatos, a Polícia Federal solicitou a inclusão de Magro na Difusão Vermelha da Interpol, tornando-o um procurado internacionalmente. O empresário já havia sido alvo de uma ação da PF em novembro do ano passado.

O Grupo Refit foi anteriormente alvo da Operação Poço de Lobato, realizada em novembro com o apoio de órgãos federais e paulistas. Aquela ação, que abrangeu 190 alvos em cinco estados, estimou um prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofres públicos. As apurações revelaram que a empresa utilizava cerca de 50 fundos de investimento — alguns com cotista único — e a abertura de empresas em cascata, com trocas constantes de sócios, para blindar o patrimônio, reduzir impostos e ocultar lucros.

A engrenagem do esquema era sustentada por núcleos financeiros, tecnológicos, jurídicos e familiares. As irregularidades foram detectadas por meio de notas fiscais incompatíveis, lacunas em declarações de importação, uso de aditivos não autorizados, falta de comprovação de refino e a retenção de navios transportando 180 milhões de litros de combustível.

Com informações de G1

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