Justiça

PF investiga grupo que monitorava executivo do Itaú e intimidava jornalistas em Brasília

09 de Julho de 2026 às 18:05

A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Brasília nesta quinta-feira (9) contra o publicitário Thiago Miranda. A ação investiga a obtenção de dados sigilosos, monitoramento de autoridades e campanhas de desinformação contra o Banco Central. O esquema envolveria pagamentos de até R$ 2 milhões para influenciadores e a vigilância do CEO do Itaú Unibanco

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (9), a 10ª fase da Operação Compliance Zero, com o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão em Brasília. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, investiga a existência de um grupo dedicado à obtenção de dados sigilosos, ao monitoramento de pessoas ligadas a autoridades e à intimidação de jornalistas, além de campanhas coordenadas em redes sociais para desgastar a credibilidade do Banco Central.

O publicitário Thiago Miranda é o alvo central desta etapa da operação. De acordo com a PF, Miranda atuava como o principal articulador do "Projeto DV", iniciativa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro para proteger o proprietário do Banco Master. O esquema envolvia a contratação de agências para estruturar desinformação na mídia e o recrutamento de jornalistas e influenciadores digitais. Para viabilizar postagens coordenadas que questionassem a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, eram oferecidos pagamentos de até R$ 2 milhões, formalizados por contratos com cláusulas de confidencialidade.

As investigações revelaram que Daniel Vorcaro solicitou a Thiago Miranda o monitoramento de Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco desde 2021, e de sua esposa, Camila Moretti Maluhy. Em mensagens interceptadas, Vorcaro justificou o pedido afirmando que Maluhy estaria lhe causando problemas. Miranda confirmou a execução da tarefa e, posteriormente, informou que as informações sobre o executivo estavam prontas, sugerindo a veiculação do conteúdo por meio de um veículo de comunicação alternativo.

O pedido de Vorcaro incluía a obtenção de dados de identificação civil, CPF e informações pessoais. Na decisão judicial, o ministro André Mendonça destacou a localização de um documento com detalhes patrimoniais e pessoais de Milton e Camila, que trazia a identidade visual de uma empresa vinculada a Thiago Miranda. O arquivo, classificado como "informações confidenciais", indica que o material foi produzido, editado ou circulou dentro da estrutura empresarial do publicitário.

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