Justiça

PF investiga publicitário por contratar influenciadores para descredibilizar o Banco Central

09 de Julho de 2026 às 18:05

A Polícia Federal deflagrou a 10ª fase da Operação Compliance Zero contra o publicitário Thiago Miranda por manipular a opinião pública contra o Banco Central. A investigação apura a contratação de influenciadores, a existência de organização criminosa para monitorar autoridades e a intimidação de jornalistas. Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Brasília por determinação do STF

PF investiga publicitário por contratar influenciadores para descredibilizar o Banco Central
Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (9), a 10ª fase da Operação Compliance Zero, com foco nas atividades do publicitário Thiago Miranda, vinculado a Daniel Vorcaro. O alvo principal, proprietário da Miranda Comunicação (Agência MiThi) e sócio do portal Léo Dias, é apontado como o articulador de um esquema para manipular a opinião pública e descredibilizar a atuação do Banco Central.

As investigações indicam que Miranda teria contratado influenciadores digitais para defender o Banco Master e atacar a autarquia monetária durante o processo que resultou na liquidação da instituição financeira. Em depoimento prestado à PF em março, o publicitário negou a contratação de terceiros para atacar órgãos de Estado, alegando que o serviço visava a reconstrução da imagem do proprietário do Banco Master.

Entretanto, evidências apontam para a existência de pagamentos efetuados pela empresa de Miranda. Um criador de conteúdo de São Paulo relatou ter recebido R$ 7,8 mil por uma única postagem crítica ao Banco Central em dezembro. O mesmo influenciador revelou ter recusado um contrato trimestral que previa a produção de oito vídeos mensais, com remuneração final de R$ 188 mil, após descontos de comissão.

Além da manipulação digital, a Polícia Federal apura a existência de uma organização criminosa voltada ao monitoramento de pessoas ligadas a autoridades e à intimidação de jornalistas. O grupo utilizaria a obtenção ilícita de dados sigilosos, incluindo quebras de sigilo e devassas em informações financeiras e cadastrais de familiares de profissionais da imprensa e de concorrentes, como ferramenta de coação.

Por determinação do ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Brasília. A decisão judicial autoriza a coleta de mídias, dispositivos de armazenamento, documentos físicos e eletrônicos, além da apreensão de dinheiro em espécie acima de R$ 20 mil e bens de alto valor.

A PF também investiga tentativas de interferência em inquéritos criminais. O conjunto de condutas apuradas pode configurar crimes de organização criminosa, embaraço à investigação, delitos contra o sistema financeiro nacional e violações de dados e dispositivos informáticos.

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