PF investiga relação ilícita entre o senador Jaques Wagner e gestores do Banco Master
A Polícia Federal investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o senador Jaques Wagner e gestores do Banco Master. A apuração aponta o recebimento de R$ 3,5 milhões, uso de aeronaves, um imóvel em Salvador e ingressos para show nos Estados Unidos. O ministro André Mendonça, do STF, autorizou buscas e apreensões em endereços do parlamentar
A Polícia Federal investiga a existência de uma relação ilícita entre o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e gestores vinculados ao Banco Master. As suspeitas fazem parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos financeiros envolvendo operadores e gestores da instituição.
No centro da apuração está a proximidade entre o parlamentar e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, proprietário do Banco Pleno e aliado estratégico de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master. Lima é apontado como peça-chave na estrutura do grupo, tendo sido responsável por levar a operação do CredCesta — cartão consignado para servidores da Bahia — ao Banco Master, além de atuar em negociações estratégicas e no controle de crises institucionais, como denúncias sobre aportes suspeitos no Rioprevidência.
Como evidência desse vínculo, a PF detalha a entrega de cinco ingressos de camarote para um show de uma artista internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 2023. A aquisição dos bilhetes, que custaram R$ 63.339, foi realizada pela empresa REAG Investimentos S.A. após orientações de Augusto Lima à sua secretária em junho de 2023, processo que contou com a participação de João Carlos Mansur.
Mensagens analisadas pela polícia indicam que, em 23 de novembro de 2023, o senador questionou Lima sobre as entradas para o evento programado para o dia 25 daquele mês. Após o envio inicial, Wagner solicitou a ampliação do número de ingressos para cinco pessoas, pedido atendido por Lima. A investigação aponta que os bilhetes foram destinados a familiares do senador, embora não esteja confirmado se o parlamentar também utilizou as entradas.
Além dos ingressos, a Polícia Federal menciona a recepção de outras vantagens indevidas por Jaques Wagner, incluindo o uso de aeronaves privadas, a negociação de um apartamento em Salvador e a soma de R$ 3,5 milhões.
As evidências, extraídas do aparelho celular de Augusto Lima, fundamentaram a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a realização de buscas e apreensões em endereços ligados ao senador nesta quinta-feira (18). A assessoria do parlamentar não se manifestou sobre as acusações.